Guterres adverte que crises de deslocamento estão se tornando mais imprevisíveis

Alto Comissário da ONU para Refugiados alertou que a conjuntura internacional complexa dificulta a busca de soluções para refugiados, deslocados internos e apátridas do mundo.

O Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, alertou hoje que a conjuntura internacional cada vez mais complexa dificulta a busca de soluções para os mais de 43 milhões de refugiados, deslocados internos e apátridas do mundo.

Ao falar na cerimônia de abertura do encontro anual do Cômite Executivo do ACNUR, em Genebra, Guterres disse que a comunidade internacional precisa aumentar sua capacidade de prever conflitos, se adaptar às mudanças climáticas e melhor gerir os desastres naturais.

“Imprevisibilidade se tornou o nome do jogo. As crises se multiplicam. Conflitos estão se tornando mais complexos. E as soluções estão provando ser mais e mais evasivas”, disse ele. “Em tais circunstâncias difíceis, nós devemos reconhecer a nossa responsabilidade conjunta. E nós devemos exercer nosso compromisso comum”, completou o Alto Comissário.

Para Guterres, a atual crise humanitária no Chifre da África é a pior situação enfrentada por ele como Alto Comissário. Falando sobre a visita feita em julho passado a Dollo Ado, no sudeste da Etiópia, ele disse ter encontrado uma mulher refugiada chamada Musleema que tinha perdido três dos seus seis filhos fugindo da Somália. Organizações humanitárias, impedidas de trabalhar em várias aréas da Somália, tinham poucas condições de ajudar.

“Todos podemos ver essa intensificação vindo de muito longe. No entanto, nós, da comunidade internacional, fomos lentos para reagir aos sinais de que as coisas começavam a se deteriorar”, disse Guterres. “O pior é que nós também não tínhamos a capacidade, em primeiro lugar, de impedir que eles se tornassem tão ruins”.

O ano de 2011 tem sido marcado por uma sucessão de crises de deslocamento e refugiados, desde a Costa do Marfim até as insurreições árabes e o deslocamento de centenas de milhares de pessoas dentro e fora da Somália, fortemente atingida pela fome. Guterres fez uma homenagem a todos os países vizinhos destas zonas de crise – na África, Europa e Oriente Médio – por manterem suas fronteiras abertas, mesmo sob a pressão do grande fluxo de refugiados e migrantes. Mas ele também alertou sobre o perigo da crescente xenofobia, que, segundo ele, está ameaçando o espaço de proteção disponível para refugiados.

“Sociedades multiculturais, multi-étnicas e multi-religosas não são apenas uma coisa boa, mas também inevitáveis. Construir comunidades tolerantes e abertas é um processo lento e delicado. Mas a não-discriminação está no centro do princípio dos Direitos Humanos, e é um dever de todos os países reconhecê-la e colocá-la em vigor. Os refugiados não podem sofrer danos colaterais de atitudes e políticas anti-imigrantes”, afirmou Guterres.

O ACNUR conta com contribuições voluntárias para o seu trabalho. Em 2010, doadores contribuíram com um valor recorde de US$ 1,86 bilhão – e espera-se que esse montante seja ultrapassado em 2011. Guterres reconheceu que os meios de financiamento foram se tornando cada vez mais difíceis e disse que o ACNUR intensificará seus esforços para ampliar sua base de doadores, inclusive alcançando mais apoio do setor privado.

Ele também pediu ao Cômite Executivo um melhor entendimento sobre a necessidade do ACNUR de recursos não vinculados para ajudar a organização a administrar as muitas crises de refugiados com que lida, e que tem pouca visibilidade internacional. Ano passado, 82% das doações foram parcialmente ou fortemente vinculadas a situações ou problemas específicos.

O objetivo do ACNUR, segundo Guterres, é se preparar para responder, em até 72 horas, a emergências simultâneas que afetem até 600 mil pessoas. Para tanto, em 2011 a organização aumentou em 20% seus estoques de emergência, aumentou o número de funcionários em prontidão para rápidos remanejamentos e criou novos postos para ajudar na proteção dos refugiados. Guterres prometeu uma nova iniciativa durante os próximos dois anos, para complementar essas medidas com responsabilidade e supervisão reforçada.

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