Foram entrevistados mais de 500 membros na diáspora da Eritreia num relatório produzido durante quatro meses.

A prática generalizada da tortura ocorre tanto na prisão como durante o período de serviço no exército. Foto: ONU
A Comissão de Inquérito criada para investigar as violações dos direitos humanos na Eritreia, que começou suas investigações em novembro de 2014, descobriu “padrões muito claros” de violações e abusos, de acordo com documentos apresentados, nesta segunda-feira (16), ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra (Suíça). Após quatro meses de trabalho e de ter realizado entrevistas com mais de 500 membros da diáspora eritreia, inúmeras violações foram encontradas.
“A maioria dos eritreus não têm nenhuma esperança no futuro”, disse o presidente da Comissão de Inquérito sobre Direitos Humanos na Eritreia, Mike Smith. Toda a sociedade foi militarizada, a Constituição nunca foi aplicada e não existe o Estado de direito, acrescentou Smith, lembrando que ninguém estava sendo responsabilizado pelas violações dos direitos humanos no país africano.
Para os eritreus, disse Smith, a “prisão é um fato normal da vida, enfrentada por um número excessivo de pessoas, incluindo homens e mulheres, velhos, jovens e crianças. Há centros de detenção oficiais e não-oficiais, localizados acima do solo ou subterrâneos. Alguns têm recipientes de metal, onde os prisioneiros são mantidos no calor extremo”.
O relatório final, com as conclusões da Comissão de Inquérito será entregue ao Conselho de Direitos Humanos em julho.