O coordenador da ONU para a resposta ao cólera disse que doações da comunidade internacional “decepcionaram” e comprometem ações para erradicar a doença.
Com o atual ritmo de financiamento, o fim do cólera no Haiti tardará 40 anos para ser alcançado. A erradicação da doença na nação caribenha, planejada para 10 anos, possivelmente demorará mais caso o ritmo de apoio a essa iniciativas siga “decepcionando”, como observou o coordenador da ONU para a resposta ao cólera no Haiti, Pedro Medrano Rojas.
Ao estar em um ponto crítico, as ações de respostas ao cólera não podem esperar outras duas gerações para alcançar os mesmos níveis de cobertura que os demais países da região, afirmou Medrano.
Ele lembrou que, como o ebola, a erradicação da doença depende de melhorias na infraestrutura e no sistema de saúde, água e saneamento. “No entanto, se essa resposta falhar e os recursos não chegarem, os árduos ganhos conquistados podem ser comprometidos e o cólera pode persistir em algumas áreas isoladas.”
Desde outubro de 2010, o cólera produziu mais de 707 mil casos suspeitos e provocou a morte de 8,6 mil pessoas.
Em julho desse ano, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o primeiro-ministro haitiano, Lamothe, lançaram a campanha de saneamento e, com o Banco Mundial, anunciaram em outubro uma iniciativa de três anos como a nova etapa do Plano Nacional de 10 anos para a Eliminação do Cólera no Haiti.
“Como uma mapa claro do que precisa ser feito, a comunidade internacional tem agora uma oportunidade para estender sua solidariedade ao Haiti”, disse o coordenador, convidando os países a colaborar com outra medida-chave preventiva – a vacinação oral contra o cólera.
A iniciativa conta com “zero financiamento disponível” internacional para complementar os fundos alocados pelo governo haitiano de 3 milhões de dólares para vacinar mais de 300 mil pessoas no próximo ano.
