Haiti: ONU elogia acordo para conclusão ‘rápida’ de processo eleitoral em curso

Acordo para acabar com impasse eleitoral foi alcançado no início de fevereiro. Agências da ONU alertam para situação de “insegurança alimentar grave” devido ao terceiro ano consecutivo de seca, agravada pelo fenômeno climático ‘El Niño’. No Haiti, metade das pessoas empregadas vivem da agricultura e 75% da população vive com menos de 2 dólares por dia.

Haitianos votam no segundo turno das eleições legislativas e no primeiro turno para a eleição presidencial na capital do Haiti, Porto Príncipe, em 25 de outubro de 2015. Foto: ONU/MINUSTAH/Logan Abassi

Haitianos votam no segundo turno das eleições legislativas e no primeiro turno para a eleição presidencial na capital do Haiti, Porto Príncipe, em 25 de outubro de 2015. Foto: ONU/MINUSTAH/Logan Abassi

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, elogiou no último dia 7 de fevereiro o acordo alcançado pelas partes interessadas do Haiti, observando que a iniciativa contém disposições imediatas para preservar a continuidade institucional do país, bem como um roteiro para a rápida conclusão do ciclo eleitoral em curso.

“Reconhecendo que o acordo está no espírito da Constituição do Haiti, o secretário-geral apela a todos os atores envolvidos para implementá-lo, a fim de garantir a transferência democrática de poder para as autoridades eleitas”, disse Ban em um comunicado divulgado por seu porta-voz.

O chefe da ONU também encorajou todas as partes do Haiti a continuar se engajando em um diálogo construtivo para guiar seu país para um futuro estável e democrático, o que segundo ele é essencial para enfrentar os desafios da nação caribenha.

“O secretário-geral encoraja todos os atores a adotar medidas destinadas a promover a calma e estabilidade”, observou o comunicado, acrescentando que Ban Ki-moon reafirma o compromisso das Nações Unidas de fornecer o seu “total apoio” ao povo haitiano no cumprimento da sua aspirações democráticas.

No dia 29 de janeiro, o Conselho de Segurança da ONU havia encorajado todos os atores políticos relevantes a chegar a um acordo, após o adiamento indefinido da rodada final das eleições no Haiti – inicialmente prevista para 27 de dezembro de 2015.

Seca e fome preocupam

O terceiro ano consecutivo de seca no Haiti, agravada pelo fenômeno global climático ‘El Niño’, tem empurrado as pessoas ainda mais para a pobreza e a fome, com o número de pessoas sofrendo “severamente” com insegurança alimentar duplicando, disse esta semana o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA).

Cerca de 3,6 milhões de haitianos estão enfrentando a insegurança alimentar, entre eles mais de 1,5 milhão de pessoas que estão em “insegurança alimentar grave”. Esta é uma das principais conclusões de uma avaliação realizada pelo PMA, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Coordenação Nacional de Segurança Alimentar do Haiti.

Uma família desenterra pedaços de madeira nos arredores de Gonaives, Haiti, para em seguida queimá-los em um poço para criar carvão, para posterior venda nos mercados locais. Essa demanda, juntamente com a falta de alternativas de emprego, tem contribuído para a crise de desmatamento e erosão no país. Foto: UNICEF/LeMoyne

Uma família desenterra pedaços de madeira nos arredores de Gonaives, Haiti, para em seguida queimá-los em um poço para criar carvão, para posterior venda nos mercados locais. Essa demanda, juntamente com a falta de alternativas de emprego, tem contribuído para a crise de desmatamento e erosão no país. Foto: UNICEF/LeMoyne

“Sem chuva para a temporada da primavera de 2016, os agricultores vão perder a sua quarta safra consecutiva da qual normalmente dependem para alimentar suas famílias”, alertou Wendy Bigham, vice-diretor do PMA no Haiti, em um comunicado.

“Precisamos ajudá-los a satisfazer as suas necessidades imediatas e ajudar a construir a sua capacidade de resiliência”, acrescentou.

Segundo a agência da ONU, a principal colheita em 2015 ficou abaixo da média, com perdas de até 70% em algumas áreas. Esta situação está ameaçando severamente a segurança alimentar no Haiti, onde a agricultura emprega metade da população atualmente em atividade. Cerca de 75% dos haitianos vivem com menos de 2 dólares por dia.

Além disso, o atual fenômeno El Niño, que começou no início de 2015, é um dos mais fortes já registrados e está afetando a segurança alimentar das populações vulneráveis em todo o mundo, incluindo no Haiti.

Em algumas áreas do país, até 70% da população está enfrentando a fome. Um estudo recente realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Governo do Haiti revelou que as taxas de desnutrição estão acima dos níveis de emergência em vários municípios.