Haiti registra avanços significativos quase dois anos após terremoto

Abrigados em campos de deslocados caíram de 1,5 milhão para 500 mil. Nação já era a mais pobre da América antes da devastação e progresso deve ser contextualizado.

Quase dois anos depois do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas, o Haiti mostra sinais significativos de progresso. Para o Representante Especial Adjunto do Secretário-Geral da ONU para o Haiti, Nigel Fisher, hove avanços na educação, saúde, geração de empregos e infraestrutura, entre outros setores. A ajuda internacional precisa ser mantida, avalia Fisher.

A situação do país antes do terremoto deve ser considerada e o progresso, contextualizado. O Haiti já era a nação mais pobre da América. “Três quartos da população ganhava e continua ganhando menos de dois dólares por dia, 70% não tem emprego fixo, mais da metade das crianças não vai para a escola e a grande maioria – entre 70% e 80% – não tem acesso a eletricidade. Somente 5% das estradas estão em bom estado”, enumera Fisher.

“O terremoto destacou décadas de instabilidade política crônica, falta de serviços sociais e oportunidades econômicas que deixaram tantos haitianos na profunda pobreza e vulnerabilidade”, acrescenta.

Contudo, Fisher diz que os projetos de reconstrução em larga escala têm impacto visível. “Em julho de 2010, havia 1,5 milhão de haitianos nos campos de deslocados recebendo água potável, comida, cuidados médicos e com acesso a latrinas. Hoje, 500 mil ainda estão abrigados. Apesar de ainda ser um número significante, representa redução de dois terços em apenas um ano”, destaca.

De acordo com Fisher, dos 4,6 bilhões de dólares prometidos por doadores no ano passado, 88% já foi aplicado em programas de transporte, remoção de escombros, água e saneamento, administração pública, moradia, energia, entre outras áreas.