Haiti: Representante da ONU condena remoções em campos de deslocados internos

Estima-se que cerca de 350 mil deslocados internos vivam em 450 campos no Haiti. Mais de 66 mil foram expulsos à força desde julho de 2010. Outros 73 mil devem enfrentar ameaças de despejo este ano.

Jovens residentes em um campo de deslocados no Haiti. Foto: ONU/Igor Rugwiza.

O Coordenador Humanitário da ONU no Haiti, Ross Mountain, expressou grave preocupação com os recentes incidentes de despejos forçados de pessoas deslocadas internamente, após a sua visita, no dia 2 de março, aos campos Acra 1 e 2, de onde cerca de mil pessoas foram forçadas a sair no dia 17 de fevereiro, na capital Porto Príncipe.

“Essas famílias sofreram intimidação, violência física e destruição de seus abrigos, incluindo através de ateamento de fogo”, declarou Moutain.

Estima-se que cerca de 350 mil deslocados internos vivam em 450 campos no Haiti. Mais de 66 mil foram expulsos à força de 150 campos desde julho de 2010, de acordo com números citados pela comunidade humanitária. Outros 73 mil devem enfrentar ameaças de despejo este ano.

“As autoridades haitianas têm a responsabilidade de promover e proteger os direitos de todos os seus cidadãos, incluindo os deslocados internos”, destacou o representante da ONU, que se reuniu com líderes nacionais após sua visita.

A Ministra dos Direitos Humanos e Combate à Pobreza Extrema, Rose Anne Augusto, garantiu que um inquérito judicial sobre as expulsões forçadas está em curso e a segurança em torno dos campos em maior risco foi reforçada.

O Presidente haitiano, Michel Martelly, condenou as remoções e lançou o programa “16/6”, um projeto que apoia o retorno e reassentamento de pessoas deslocadas que vivem em campos, bem como a reabilitação dos bairros afetados pelo deslocamento.