Um terço das novas infecções pelo HIV no Brasil atualmente são entre pessoas de 15 a 24 anos. Como muitos dos países que começaram a resposta à AIDS mais cedo, o Brasil enfrenta agora um desafio importante: conscientizar e mobilizar sua juventude sobre a importância da prevenção ao HIV e sobre o fim da discriminação.

Jovens participantes do 1º Curso de Formação de Jovens Lideranças em Brasília. Foto: Renato Oliveira/ASCOM-DDAHV
Apesar de contar com o acesso gratuito aos serviços de saúde relacionados ao HIV – prevenção, testagem, aconselhamento e tratamento –, o estigma e a discriminação ainda afetam a chegada de populações mais vulneráveis ao Sistema Único de Saúde (SUS), e em especial os jovens.
Dados recentes mostram que um terço das novas infecções pelo HIV no Brasil atualmente são entre pessoas de 15 a 24 anos. Como muitos dos países que começaram a resposta à AIDS mais cedo, o Brasil enfrenta agora um desafio importante: conscientizar e mobilizar sua juventude sobre a importância da prevenção ao HIV e sobre o fim da discriminação.
“O remédio para o preconceito é a informação”, lembra Ruggery Gonzaga, um dos ativistas jovens que fazem parte da chamada Força Tarefa Jovem Zero Discriminação – um grupo que agrega jovens ativistas de direitos humanos, direitos LGBT e da resposta à AIDS com o intuito de promover e implementar ações que possam fortalecer o combate a todas as formas de discriminação.
Sob a coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e com apoio da União Europeia, este espaço de fortalecimento e empoderamento da juventude foi criado em setembro de 2014 e reúne hoje mais de 700 pessoas, a maioria jovens, mas também representantes do governo, da sociedade civil e de outras agências e programas da ONU.
As ações do grupo incluem a apropriação de espaços de compartilhamento de saberes juvenis, como as mídias e redes sociais, para promoção de informações sobre HIV/AIDS, além da sensibilização e conscientização nas temáticas relacionadas à diversidade.
“O jovem de hoje faz parte de uma geração que nunca teve tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, ele não está sendo capacitado para filtrar, interpretar e usar toda esta informação para fazer escolhas de vida saudáveis”, diz Georgiana Braga-Orillard, diretora do UNAIDS no Brasil. “O UNAIDS, com o apoio dos diversos organismos da ONU, tem trabalhado para mudar esta realidade, empoderando a juventude para o ativismo construtivo, para que ela não apenas se informe, mas também lute pelos seus direitos e por um país livre do preconceito e da discriminação.”
Vídeo produzido e editado pelos jovens da Força Tarefa.
Saúde e juventude
Engajados em suas comunidades, os jovens da Força Tarefa atuam em rede na defesa por um sistema de saúde público melhor. O Estatuto da Juventude estabelece que os jovens devem ter garantidos seus direitos à saúde em uma perspectiva integral e à qualidade de vida, considerando suas especificidades, mas ainda observa-se muitos obstáculos na efetivação desses direitos, especialmente entre jovens vivendo HIV.
O ativista Ari Gonçalvez lembra que o protagonismo juvenil é essencial na resposta à AIDS. “A gente precisa saber como abordar um jovem e, na maioria das vezes, não é um adulto que vai conseguir chegar no jovem”, disse Gonçalvez.
Combatendo o estigma

Campanha, criada pela Força Tarefa Jovem, em virtude do debate sobre criminalização do HIV como crime hediondo.
Outro pilar da Força Tarefa é a promoção da tolerância, compaixão e paz. Baseado na iniciativa #ZeroDiscriminação do UNAIDS, o grupo tem realizados diversas ações locais e campanhas nas mídias sociais com o intuito de promover o respeito a diversidade e combater atos discriminatórios, que impedem o exercício de uma vida plena, digna e produtiva.
O Direito à Diversidade e à Igualdade é um dos 11 de direitos previstos no Estatuto da Juventude. Segundo o documento, os jovens não podem ser discriminados por sua etnia, raça, cor, cultura, origem, idade, sexo, orientação sexual, idioma, religião, opinião, deficiência e condição social ou econômica.
A promoção do respeito a toda esta diversidade e a zero discriminação somente poderão ser alcançadas com a efetiva inclusão dos e das jovens nos espaços de participação social, por isso iniciativas como o Força Tarefa Jovem são fundamentais.
É possível viver positivamente na juventude?

Henrique Ávila durante o 7º Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (ENAJVHA), em Recife. Foto: Renato Oliveira/ASCOM-DDAHV
Aos 25 anos de idade, Henrique Ávila acumula uma trajetória marcada por conquistas e superações. Eleito em julho deste ano coordenador nacional da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA), o ativista já participava das primeiras ações da Rede em seu estado, Tocantins, e tem muitas histórias sobre as dificuldades enfrentadas por ele e outros jovens quando foram diagnosticados positivos para o HIV.
Um dos maiores desafios, segundo ele, é o jovem receber a informação de que é soropositivo e ter que vencer não apenas seus próprios preconceitos e ignorância sobre o assunto, mas também ter que superar o preconceito ainda muito enraizado na sociedade. “Neste primeiro momento, um dos maiores desafios é a aceitação e a adesão ao tratamento”, conta. “Eu mesmo já fui muito rebelde e aprendi a duras penas de que a adesão e a aceitação são pilares essenciais para a nova vida que temos que levar.”
Hoje à frente de um da única rede nacional de jovens vivendo com HIV, Ávila falou ao UNAIDS sobre momentos que determinaram a sua atuação e militância. Levado a deixar sua casa muito cedo por sofrer com o preconceito dentro da própria família, sua trajetória como ativista começou pela participação no movimento LGBT, que abriu as portas para que ele chegasse até a RNAJVHA.
“Descobri a rede e me apaixonei, porque não imaginava, no momento em que eu me descobri soropositivo, que tinha um grupo tão forte e unido de jovens que procuravam se autoajudar”, lembra Ávila sobre seu primeiro contato com o grupo. Leia mais clicando aqui.