“Hoje, ninguém fala em nome do planeta”, afirma Coordenador Executivo da Rio+20

Em visita ao Brasil, o francês Brice Lalonde pede mais solidariedade no mundo e destaca papel do Brasil como líder global.

Em visita ao Brasil, o francês Brice Lalonde pede mais solidariedade no mundo e destaca papel do Brasil como líder global.

'Hoje, ninguém fala em nome do planeta', afirma Coordenador Executivo da Rio+20

O Coordenador Executivo para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), Brice Lalonde, participou nesta quinta-feira (18/08) de uma coletiva de imprensa organizada pelo Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro). O ex-Ministro do Meio Ambiente da França, que fica no Brasil até o próximo dia 23, falou sobre as expectativas para a Conferência, que será realizada em junho do próximo ano, e afirmou que é hora de olhar para o passado, mas pensar no futuro.

Abrindo a coletiva, Lalonde destacou a importância de realizar outro encontro no Rio de Janeiro, 20 anos após o encontro de 1992, e afirmou que “a Conferência [Rio+20] deve ser de aspirações e soluções para uma vida melhor”. Ele comparou a Conferência a um check-up médico, que vai avaliar a saúde do planeta e da humanidade.

Confira o áudio na íntegra, em inglês, e as fotos da coletiva de hoje:

[audio:http://unicrio.org.br/img/2011/08/rio20_coletiva.mp3%5D
(Baixar o áudio)

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“Precisamos mais do que nunca ter solidariedade, objetivos comuns e pessoas falando em nome do planeta e do futuro”, disse o Coordenador. Para ele, os trabalhos da ONU deveriam se basear nos conceitos de paz, pessoas e planeta. “O problema hoje é que ninguém fala em nome do planeta”, afirmou, criticando as atitudes de países que representam apenas seus próprios interesses.

Ainda em relação à ONU, Lalonde afirmou que há um consenso de que a sociedade civil deveria ter uma participação mais importante dentro da Organização, inclusive nas tomadas de decisão. Ele disse que a Rio+20 será dos jovens, dos países emergentes e um momento para se discutir o papel e a relevância das Nações Unidas.

Liderança do Brasil é destacada

O Coordenador Executivo afirmou que o mundo vive hoje uma nova ordem geopolítica, onde o Brasil é um dos atores principais, especialmente por ter mostrado exemplos bem sucedidos em áreas como crescimento econômico e solidariedade social. Ele disse que as lideranças tradicionais desapareceram e que, além dos países desenvolvidos, os emergentes também devem tomar atitudes de liderança.

Quando questionado sobre a expectativa que o Brasil deve ter para a Conferência, Lalonde declarou que quanto mais pessoas sentirem que o povo brasileiro está animado, interessado e comprometido com a Rio+20, mais as pessoas sentirão que ela é importante.

Além da sociedade civil, governos locais, empresas, ONGs e a comunidade científica também são atores que devem ter um papel relevante na Conferência, segundo ele. A coletiva foi encerrada com um pedido de Lalonde para que a imprensa não apenas critique os governos, mas também faça questionamentos e impulsione as discussões.

(Julia Mandil para o UNIC Rio)