Depois da morte da ativista indígena Berta Cáceres no início deste mês, no dia 15 outro defensor dos direitos humanos em Honduras, Nelson García, foi assassinado. Relator das Nações Unidas pediu que governo “tome ações concretas” para evitar mais mortes no país.

Povo indígena Lenca é alvo de perseguição violenta no sudoeste de Honduras. Foto: ONU.
Um especialista independente das Nações Unidas sobre a situação dos defensores dos direitos humanos pediu que o governo de Honduras “tome ações concretas e imediatas, sob o risco de o país se transformar em uma zona de matança sem lei para os defensores dos direitos humanos”.
O apelo do relator especial da ONU Michel Forst ocorreu depois da morte de mais um líder do Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH) , Nelson García, ocorrida em 15 de março.
Mais cedo neste mês, Berta Cáceres, fundadora do COPINH, proeminente líder indígena, ambientalista e ativista de defesa dos direitos das mulheres, foi assassinada.
García foi morto pouco depois de ter testemunhado um desalojamento forçado promovido por forças de segurança na região de Rio Lindo, sul da cidade de San Pedro Sula. “Essa nova tragédia aponta mais uma vez para importantes falhas na proteção dos defensores dos direitos humanos no país”, disse Forst em comunicado à imprensa.
“Em meio a implacáveis ataques contra defensores dos indígenas e do meio ambiente, é hora de as autoridades hondurenhas tomarem passos concretos para garantir a segurança de todos os defensores dos direitos humanos no país e suas famílias”, disse ele, citando a obrigação dos Estados de garantir a segurança e a proteção de todos os defensores dos direitos humanos ou ativistas dentro de suas fronteiras.
“Peço ao governo hondurenho que condene publicamente o assassinato de Nelson García e garanta uma investigação imediata, independente e imparcial sobre sua morte”, disse. “Esse ciclo de violência só irá parar quando a impunidade for combatida e os perpetuadores de tais atos forem levados à Justiça.”
De acordo com diversos relatórios recebidos pelo relator especial, Honduras tornou-se um dos países mais perigosos do mundo para defensores dos direitos humanos, particularmente aqueles que promovem direitos relacionados ao meio ambiente e questões de terra.
Em 5 de março, depois da morte de Berta Cáceres, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos pediu medidas de proteção para todos os membros do COPINH, que sofrem com uma escalada de ameaças e assédios. “No entanto, isso infelizmente não evitou o assassinato de García”, concluiu Forst.