Bombardeios foram uns dos mais fatais já registrados desde o início do conflito iemenita. Segundo escritório de direitos humanos, Coalizão é responsável por duas vezes mais mortes de civis do que todas as outras forças juntas, praticamente todas como resultado de ataques aéreos.
No país, além de lidar com a violência, 7,6 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar severa. Nesta semana, o Programa Mundial de Alimentos deu início a uma iniciativa que vai levar comida para 120 mil pessoas na capital do Iêmen.

Conflito no Iêmen já devastou inúmeras partes do país, deslocando populações e agravando a falta de alimentos. Foto: PMA / Ammar Bamatraf
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou os ataques aéreos que atingiram, nesta terça-feira (15), o mercado de al-Khamees, no distrito de Mastaba, norte do Iêmen. Bombardeios foram uns dos mais fatais do conflito até o momento, matando 119 pessoas, entre elas, 24 crianças, segundo fontes da mídia. Outros 47 ficaram feridos.
“Ataques direcionados a civis ou a alvos civis, incluindo mercados movimentados, são estritamente proibidos”, afirmou o chefe da ONU, em pronunciamento no dia seguinte aos ataques.
Qualquer investida intencional contra civis constitui uma violação do direito humanitário internacional, lembrou o secretário-geral. Princípios de distinção, proporcionalidade e precaução devem ser plenamente respeitados pelos lados da guerra.
O dirigente máximo das Nações Unidas pediu a todas as partes do conflito iemenita que suspendam suas atividades militares e comecem a “resolver as diferenças em uma nova rodada de negociações de paz facilitadas pelo enviado especial da ONU” para o país.
Para Ban Ki-moon, incidente deve ser investigado de forma independente e imparcial, bem como todas as alegações de violações sérias envolvendo as partes dos confrontos do Iêmen.
Na sexta-feira (18), o chefe de direitos humanos da Organização considerou os ataques um “fracasso repetido” da Coalizão em prevenir mortes de civis em ataques aéreos, alertando que seus autores não promovem investigações independentes e transparentes para os ataques anteriores.
“Olhando para os números, parece que a Coalizão é responsável por duas vezes mais mortes de civis do que todas as outras forças juntas, praticamente todas como resultado de ataques aéreos”, disse o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

Cidade de Saada, no Iêmen, atingida fortemente pelos ataques aéreos. Foto OCHA/Philippe Kropf
Zeid informou que os ataques aéreos atingiram “mercados, hospitais, clínicas, escolas, fábricas, festas de casamento – e centenas de residências privadas em aldeias, vilas e cidades, incluindo a capital Sana’a”.
Estes incidentes ocorrem “com regularidade inaceitável”. Apesar de diligências internacionais e promessas públicas, não houve qualquer investigação, disse Zeid.
De acordo com o Escritório de Direitos Humanos da ONU no Iêmen, que visitou o local no dia seguinte, os ataques aéreos destruíram completamente 16 lojas no mercado, principal local de compras para 15 aldeias vizinhas.
Programa Mundial de Alimentos dá início a projeto de distribuição de comida para 120 mil pessoas
No mesmo dia (16) do pronunciamento de Ban Ki-moon, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) informou que começou a distribuir vouchers para garantir que cerca de 120 mil pessoas consigam ter acesso a comida em Sana’a, capital do Iêmen. A iniciativa recebeu 8,9 milhões de dólares do Reino Unido.
Cada voucher permite a uma família de seis pessoas adquirir quantidades de grãos de trigo, leguminosas, óleo vegetal, sal, açúcar e um composto de trigo e soja enriquecido com proteína para o período de um mês.
Até o final de 2016, o PMA planeja alcançar 1 milhão de pessoas com seu projeto. Atualmente, 7,6 milhões de iemenitas enfrentam insegurança alimentar considerada severa – uma conjuntura que requer assistência externa urgentemente.
O sistema de tickets permite acelerar a entrega da assistência alimentar, pois aproveita a estrutura de comerciantes e fornecedores locais, que fazem parcerias com o PMA e chegam mais rapidamente às populações vulneráveis. O programa ajuda ainda no reestabelecimento das atividades comerciais no país.