Em 2015, mais de 700 crianças foram mortas. Cerca de 1,3 milhão de jovens enfrentam riscos de má nutrição e infecções. Negociações de paz para o conflito podem ser retomadas ao final de janeiro.

Um menino carrega um pedaço de explosivo de artilharia que aterrissou na vila de Al Mahjar, um subúrbio de Sana’a, capital do Iêmen. Foto: UNICEF / Mohamed Hamoud
O representante nacional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Julian Harneis, alertou nesta terça-feira (12) que os conflitos contínuos no Iêmen colocam em perigo as 10 milhões de crianças vivendo no país. Estimativas indicam que, desde março de 2015, 747 jovens foram mortos e outros 1.108 ficaram feridos. No mesmo dia do pronunciamento da agência, em Genebra, o diretor interino do Serviço de Informação da, Ahmad Fawzi, afirmou que negociações de paz podem ser retomadas ainda em janeiro, ao final do mês.
Segundo o levantamento do UNICEF, dos 2,3 milhões de pessoas deslocadas no Iêmen, metade são crianças. Jovens com dificuldade de acesso diário a água chegam a quase 10 milhões. Cerca de 1,3 milhão de crianças com menos de cinco anos de idade enfrentam riscos de má nutrição e de infecções respiratórias agudas. E ao menos 2 milhões de jovens estão sem acesso a educação. Números apontam que, desde o ano passado, 724 crianças foram forçadas a se tornar soldados.
O UNICEF estima que 7,4 milhões de crianças precisem de proteção e assistência, mas apenas poucas devem recebê-la, uma vez que os serviços públicos, como saúde e saneamento, foram dizimados e não podem satisfazer as necessidades cada vez maiores da população. A agência da ONU e seus parceiros têm tentado levar ajuda aos habitantes do país. Em 2015, mais de quatro milhões de crianças abaixo dos cinco anos foram vacinadas contra a poliomielite e sarampo. Outras 166 mil receberam tratamento para a má nutrição. Organizações humanitárias também garantiram acesso a água para 3,5 milhões de pessoas.
De acordo com Fawzi, diálogos entre as partes do conflito podem ser retomados ao final desse mês, após terem sido adiados em dezembro, por conta de uma série de violações ao cessar-fogo acordado. O diretor esteve em contato com o enviado especial da ONU para o Iêmen,Ismail Ould Cheikh Ahmed. Segundo Fawzi, 14 de janeiro havia sido indicada como uma nova data para as negociações. Esse dia, porém, deve ser descartado, pois Ahmed deseja reunir as partes na própria região e não, na Suíça, embora o país permaneça uma opção. Até que se defina um local aceitável por todos, o encontro só deverá ocorrer depois de 20 de janeiro.