Iêmen: em meio à crise alimentar, especialista da ONU alerta para fome deliberada de civis

“A fome deliberada de civis nos conflitos armados pode constituir um crime de guerra, e também um crime contra a humanidade, em caso de recusa deliberada de alimentos e também a privação de suprimentos ou fontes de alimentos”, lembrou a relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação, Hilal Elver.

Novos conflitos, como a crise no Iêmen, agravam a situação humanitária no mundo e requer mais financiamento dos doadores. Foto: OCHA

Novos conflitos, como a crise no Iêmen, agravam a situação humanitária no mundo e requer mais financiamento dos doadores. Foto: OCHA

Mergulhado em um conflito cada vez mais profundo, o Iêmen atravessa agora uma grave crise alimentar disse, nesta nesta terça-feira (11), a relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação, Hilal Elver, que também alertou para a fome, possivelmente deliberada, que está sendo infringida em grupos de civis.

“À medida que o conflito continua aumentando, mais de 12,9 milhões de pessoas no Iêmen agora estão sobrevivendo sem acesso adequado a alimentos básicos, incluindo seis milhões consideradas em grave estado de insegurança alimentar”, alertou Elver.

A situação que as crianças enfrentam no país é particularmente alarmante, destacou, com relatos que sugerem que 850 mil delas enfrentam desnutrição aguda – um número que deverá subir para 1,2 milhão durante as próximas semanas, se o conflito persistir em seu nível atual.

“A fome deliberada de civis nos conflitos armados pode constituir um crime de guerra, e também um crime contra a humanidade, em caso de recusa deliberada de alimentos e também a privação de suprimentos ou fontes de alimentos”, alertou Elver, referindo-se aos cercos em uma série de províncias que impedem a entrada de alimentos básicos e aos ataques aéreos que teriam como alvo mercados e caminhões carregados com alimentos.