De acordo com Ismail Ould Cheikh Ahmed, as prioridades desta fase de negociação são a consolidação da cessação das hostilidades, a melhora da situação humanitária e um acordo sobre as medidas de segurança.
Embora a cessação das hostilidades no Iêmen anunciada em 10 de abril continue proporcionando alívio da violência em muitas partes do país, algumas violações graves continuam ocorrendo, como o bombardeio a um mercado popular em Taiz em 4 de junho, que resultou em 18 mortes e dezenas de feridos.

Área para pessoas deslocadas em Khamer, no Iêmen. Cerca de 200 famílias da minoria muhamasheen, deslocadas de Sa’ada, vivem no local. Foto: OCHA / Philippe Kropf
O enviado especial das Nações Unidas no Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, informou no último sábado (16) que, após várias sessões diárias e intensas consultas com líderes regionais e políticos, as negociações de paz no país, realizadas com o apoio da ONU no Kuwait, continuarão por mais duas semanas.
Segundo o especialista, esse será o momento para se tomar decisões definitivas, que girem principalmente em torno da resolução do Conselho de Segurança 2216 (2015), da Iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo e seu mecanismo de implementação e dos resultados da Conferência de Diálogo Nacional.
As reuniões continuarão sendo realizadas no Kuwait e terão como foco os seguintes temas: a consolidação completa e abrangente do fim das hostilidades, a ativação da comissão de diminuição da violência, a implementação dos comitês locais, bem como a formação das comissões militares que irão supervisionar a retirada e a entrega de armas da área A e a abertura de corredores seguros para a entrega de assistência humanitária.
O enviado especial também informou que, ao mesmo tempo, a comissão de prisioneiros e detidos continuará o seu trabalho, e reiterou a necessidade da libertação de todos os reféns o mais rápido possível.
“As prioridades desta fase de negociação são a consolidação da cessação das hostilidades, a melhora da situação humanitária e um acordo sobre as medidas de segurança, para que possamos resolver todas as outras questões”, ressaltou.
Embora a cessação das hostilidades no Iêmen, anunciada em 10 de abril, continue proporcionando alívio da violência em muitas partes do país, algumas violações graves continuam ocorrendo, como o bombardeio a um mercado popular em Taiz em 4 de junho, que resultou em 18 mortes e dezenas de feridos.
Além disso, violações da trégua ainda são observadas em Mareb e Al-Jawf e nas áreas de fronteira com a Arábia Saudita.
De acordo com Ismail, durante as últimas semanas, ele convocou reuniões intensivas no Iêmen, na Arábia Saudita e em Omã para discutir a segurança, questões políticas, econômicas e humanitárias na região.
O especialista disse também que realizou mais de uma reunião com o presidente Abdu Rabbu Mansour Hadi, com os membros da liderança política do país e com as delegações que participam das negociações de paz, além dos representantes de outros partidos e atores políticos.
O enviado especial afirmou ainda que conheceu o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, e esteve em “contato permanente” com outras figuras políticas e diplomatas, que reiteraram o seu apoio aos esforços da ONU e destacaram a importância de se chegar a uma solução final para a crise no Iêmen.
Notando que a ONU “colocou à sua disposição toda a experiência política e administrativa, enquanto o Estado do Kuwait dedicou uma equipe completa de logística, segurança e apoio político”, o enviado salientou que tais esforços não seriam suficientes se todos os estímulos necessários para garantir a segurança e a estabilidade no Iêmen fossem feitos.
Expressando esperança com a oportunidade das novas reuniões, Ismail disse que as duas semanas vão servir para demonstrar boa vontade, credibilidade e preocupação com o interesse nacional.
“Deve-se trabalhar no sentido de melhorar a situação dos cidadãos, os direitos humanos e no sentido de alcançar as aspirações da juventude iemenita. A liderança é ação, não palavras”, concluiu.
Após intensas negociações com ambas as partes no mês passado, Ismail relatou que havia apresentado um roteiro esboçando um plano prático para acabar com o conflito no Iêmen.
Ele prevê a aplicação das disposições de segurança especificadas na resolução do Conselho de Segurança 2216 (2015) e o estabelecimento de um governo de unidade nacional que garanta a prestação de serviços básicos e aborde a recuperação da economia iemenita.
De acordo com o roteiro proposto, o governo de unidade nacional seria também responsável pela elaboração de um diálogo político para definir as etapas restantes para uma solução política abrangente, incluindo a lei eleitoral e o mandato das instituições, que supervisionariam o período de transição e a conclusão do projeto de constituição.