‘Iêmen não pode arriscar perder mais vidas’, apela ONU no 1º dia após início de cessar-fogo no país

Trégua e negociações de paz exigirão compromissos “difíceis” das partes do conflito, destacou o enviado especial da ONU para o Iêmen. Liberação do acesso humanitário a diferentes regiões do país está incluída nas exigências da ONU para a realização do cessar-fogo.

Conflitos e obstruções ao acesso humanitário levaram parcelas consideráveis da população iemenita a enfrentar escassez de alimentos e de outros recursos. Na foto, uma criança de dois anos desnutrida recebe atenção médica em um hospital na capital do Iêmen, San'a. Foto: UNICEF/Yasin

Conflitos e obstruções ao acesso humanitário levaram parcelas consideráveis da população iemenita a enfrentar escassez de alimentos e de outros recursos. Na foto, uma criança de dois anos desnutrida recebe atenção médica em um hospital na capital do Iêmen, San’a. Foto: UNICEF/Yasin

O enviado especial das Nações Unidas para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, elogiou na segunda-feira (11) o início do cessar-fogo no país, que começou à meia-noite da véspera (10), mas alertou para os desafios consideráveis que a trégua enfrentará para ser mantida. O acordo de suspensão dos confrontos inclui o compromisso das partes do conflito em liberar o acesso de organizações humanitárias a diferentes áreas do território iemenita.

“Muito trabalho jaz adiante para garantir o respeito pleno à cessação de hostilidades e a retomada dos diálogos da paz no Kuwait. Agora é a hora de se afastar do penhasco. O progresso obtido representa uma oportunidade real para reconstruir um país que já sofreu muita violência por tempo demais”, afirmou o enviado especial.

As negociações pelo fim do conflito serão retomadas na próxima semana e coordenadas pelas Nações Unidas. Ahmed informou que o Comitê responsável por coordenar o apaziguamento das tensões já foi novamente reunido no Kuwait, a fim de fortalecer a adesão ao cessar-fogo e aos seus termos e condições definidos pela ONU. Representantes militares de ambos os lados do confronto integram o organismo.

As discussões a respeito de uma solução política para a crise – que exigirá compromissos ‘difíceis’ e determinação das partes, segundo Ahmed – vão se concentrar em cinco áreas principais: a retirada de milícias e grupos armados; a entrega de armamentos pesados ao Estado; arranjos interinos de segurança; a restituição de instituições estatais e a retomada do diálogo político inclusivo; e a criação de um comitê especial para detidos e prisioneiros.

“Eu peço a todas as partes e à comunidade internacional que permaneçam firmes em (seu) apoio (à trégua) para que essa cessação de hostilidades seja um primeiro passo do retorno do Iêmen à paz. Isso é crítico, urgente e muito necessário. O Iêmen não pode arriscar a perda de mais vidas”, afirmou Ahmed, que apelou aos lados da guerra para que criem um ambiente propício às negociações.

Na véspera da entrada em vigor da trégua (9), o coordenador humanitário da ONU para o país, Jamie McGoldrick, expressou otimismo quanto ao cessar-fogo e reiterou os apelos das Nações Unidas pela liberação do acesso humanitário.

“Caso respeitado, o acordo oferecerá a homens, mulheres e crianças no Iêmen uma pausa bastante necessária da violência crescente que eles têm enfrentado diariamente, por mais de um ano agora”, disse. Segundo McGoldrick, independentemente do resultado dos diálogos de paz, a ONU e seus parceiros continuarão respondendo aos problemas da população, “onde quer que sejam encontrados e apesar dos enormes obstáculos enfrentados”.

McGoldrick ressaltou que operações humanitárias de larga escala já estavam sendo programadas no país, onde profissionais de organizações continuarão a se empenhar para negociar o acesso duradouro a áreas de difícil acesso.