Iminente crise de alimentos ameaça processo de reconstrução da Somália, diz ONU

Segundo agências humanitárias das Nações Unidas, uma ação urgente é vital para prevenir que o país regrida ao status de “Estado falido”.

Com a ajuda do Programa Mundial de Alimentos (PMA), um canal de irrigação é reforçado perto do campo de deslocados em Kabasa, sul da Somália. Foto: FAO/Frank Nyakairu

Agentes humanitários das Nações Unidas informaram, nesta quarta-feira (2), que uma ação urgente é necessária para prevenir a piora da crises humanitárias na Somália, pedindo também aos doadores da comunidade internacional para ajudá-los a aprimorar as operações da ONU e consolidar seus recentes sucessos no país.

“O fracasso em responder às necessidades humanitárias não só levará a outra crise, como desestabilizará a paz e os esforços de construção de um Estado dos últimos dois anos, comprometendo a rara oportunidade da Somália em abandonar o status de ‘Estado falido’”, disse nesta quarta-feira (02) o diretor de operações do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging.

Segundo o OCHA, a Somália – onde mais um milhão de pessoas estão internamente deslocadas e cerca de 875 mil requerem assistência alimentar urgente – está prestes a cair em uma crise de alimentos no segundo semestre de 2014. Ainda assim, as campanhas de auxílio sofrem com falta de financiamento: dos 933 milhões de dólares solicitados, apenas 25% foram entregues.

“Todos os sinais que observamos logo antes da severa crise de fome de 2011 retornaram: acesso humanitário deficiente, insegurança, alimentos mais caros, chuvas atrasadas e crescentes índices de desnutrição entre crianças”, continuou Ging. “É vital que ajamos imediatamente a fim de prevenir outro desastre.”