Pela primeira vez desde 2009, o valor das importações globais de produtos tecnológicos registrou uma redução — de 3,6%, em 2015. Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a queda na demanda por PCs, laptops, tablets, HDs, componentes e acessórios foi responsável por 65% da contração. Reduções do consumo na Europa e no Japão responderam por mais da metade do decréscimo.

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Pela primeira vez desde 2009, o valor das importações globais de produtos tecnológicos registrou uma redução — de 3,6%, em 2015. No mesmo ano, o montante total movimentado pela venda e compra de bens de tecnologias da informação e comunicação (TICs) foi estimado em pouco mais de 2 trilhões de dólares pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
Divulgados nesta quarta-feira (22) pela agência da ONU, os números apresentam um cenário negativo, marcado pela queda na demanda por PCs, laptops, tablets, HDs, componentes e acessórios. Esses produtos responderam por 65% da contração das importações, apontou o levantamento do organismo internacional.
Apesar das perspectivas pouco otimistas, a UNCTAD ressalta que a queda foi significativamente menor do que a verificada no comércio global como um todo — de 10% — em 2015.
Segundo os cálculos da agência, equipamentos de comunicação foram a única categoria de produtos finais das TICs a registrar resultados positivos, com crescimento das vendas mundiais. Em 2015, pelo segundo ano consecutivo, as importações globais desses bens ultrapassaram as de computadores e acessórios.
A tendência, de acordo com a UNCTAD, foi ainda mais pronunciada em países em desenvolvimento. Nações emergentes gastaram a mais em equipamentos de comunicação o equivalente à metade dos dólares desembolsados na importação de computadores e acessórios.
Para a agência das Nações Unidas, a redução observada em 2015 também pode ser associada a perspectivas medíocres para o consumo de equipamentos eletrônicos como câmeras para TV, receptores de rádio, projetores e câmeras digitais. Nos últimos cincos anos, as importações desses produtos já vinha desacelerando.
Em 2015, o valor global associado à venda desses bens — 182 bilhões de dólares — foi menor até mesmo do que os índices registrados em 2005.
O organismo internacional aponta ainda que as as importações da China representaram quase um terço do total global de vendas das TICs. A desaceleração econômica do país — que viu suas taxas de importação aumentarem mais de 15% anualmente de 2009 a 2013 para, em 2015, registrar um crescimento de apenas 2% — acabou contribuindo para frear a produção mundial,
Importações de bens intermediários, como componentes eletrônicos, continuaram representando cerca de um terço do total de importações. A maior parte desses insumos — mais de 80% — abasteceu fábricas de países em desenvolvimento, sobretudo na Ásia.
A Europa e o Japão, principais parceiros da China na compra e venda de TICs, registraram uma queda aguda nas importações em dólar de produtos tecnológicos — de 7% e 13%, respectivamente. De acordo com a UNCTAD, isso foi motivado pela depreciação do euro e do yen. A diminuição da demanda nesses dois polos consumidores foi responsável por mais da metade do decréscimo médio registrado em 2015.
Brasil
A UNCTAD associa o crescimento das importações de equipamentos de comunicação vendidos para países em desenvolvimento ao que chama de “revolução móvel”.
A agência da ONU menciona o exemplo do Brasil, que era um exportador desses bens na primeira metade dos anos 2000, mas dependeu de importações para sustentar o crescimento no número de assinaturas móveis de telefonia após o lançamento do iPhone, em 2007. Neste ano, o país contava pouco mais de 100 milhões de assinaturas. Oito anos depois, eram 250 milhões — cinco vezes mais do que em 2004.
O caso brasileiro é semelhante ao do México, também exportador de produtos de telecomunicação, sobretudo no princípio da década passada, mas com baixa penetração da cobertura móvel.