Imposição de fechar Al-Jazeera é ‘duro golpe para o pluralismo da mídia’, alerta especialista da ONU

O encerramento da Al-Jazeera está incluído em uma lista de 13 exigências apresentadas ao Catar pelos governos da Arábia Saudita, Barein, Egito e Emirados Árabes Unidos, que atualmente estão impondo um bloqueio econômico ao país.

“Essa exigência representa uma séria ameaça à liberdade de imprensa se os governos, sob pretexto de uma crise diplomática, tomem medidas para forçar o desmantelamento da Al-Jazeera”, disse o relator especial da ONU sobre liberdade de opinião e expressão, David Kaye.

Foto: Al-Jazeera

Foto: Al-Jazeera

A exigência divulgada por vários governos para que o Catar feche a rede de comunicação Al-Jazeera em troca do levantamento de sanções é um duro golpe contra o pluralismo dos meios de comunicação, numa região que já sofreu severas restrições à imprensa e à mídia de todos os tipos, disse nessa quarta-feira (28) o relator especial da ONU sobre liberdade de opinião e expressão, David Kaye.

“Essa exigência representa uma séria ameaça à liberdade de imprensa se os governos, sob pretexto de uma crise diplomática, tomem medidas para forçar o desmantelamento da Al-Jazeera”, disse Kaye.

O encerramento da Al-Jazeera está supostamente incluído numa lista de 13 exigências apresentadas ao Catar pelos governos da Arábia Saudita, Barein, Egito e Emirados Árabes Unidos, que atualmente estão impondo um bloqueio econômico ao país.

A lista não foi anunciada publicamente pelos quatro Estados, mas várias organizações internacionais da mídia obtiveram a informação, e fontes do Catar confirmaram a sua autenticidade.

A exigência para fechar a Al-Jazeera também afeta seus canais afiliados, incluindo Árabe 21, o Novo Árabe, Sharq e o Oriente Médio. O Catar tem 10 dias para cumprir a exigência, segundo as informações relatadas.

Kaye disse que o direito de todos a acessar informação é profundamente afetado quando a segurança e a liberdade da imprensa não está assegurada.

“Exorto a comunidade internacional a pedir que esses governos não sigam essa exigência contra o Catar, resistam a tomar medidas para censurar a mídia no seu próprio território e regionalmente e incentivem o apoio à imprensa independente no Oriente Médio”, afirmou.