Incertezas globais ampliam necessidade de integração latino-americana e caribenha, diz CEPAL

Diante das incertezas econômicas e geopolíticas globais, a integração entre países latino-americanos e caribenhos é ainda mais necessária. A declaração foi feita pela secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que participou esta semana na República Dominicana da 5ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

Segundo a publicação, o comércio de serviços globais em 2014 cresceu 5%, sendo o grande condutor do desenvolvimento econômico mundial em comércio do ano. Foto: USP Imagens/ Marcos Santos

CEPAL enfatizou a importância de uma maior integração entre países latino-americanos e caribenhos. Foto: USP Imagens/ Marcos Santos

A secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, afirmou na terça-feira (24) que, diante das incertezas globais, a integração entre países latino-americanos e caribenhos é ainda mais necessária.

As declarações foram feitas durante a 5ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) realizada em Bávaro, na República Dominicana.

“Diante da grande incerteza atual, avançar na integração regional é mais necessário do que nunca”, disse Bárcena durante a reunião prévia de ministros de Relações Exteriores. Segundo ela, é necessário promover a diversificação produtiva com base na revolução tecnológica e nos incentivos vinculados à luta contra as mudanças climáticas.

Ela advertiu que a América Latina e o Caribe têm registrado baixo crescimento — a CEPAL calcula que em 2016 a economia regional se contraiu 1,1% e, para 2017, a projeção é de leve expansão de 1,3% — o que se soma à desaceleração do comércio, o escasso investimento físico, em capital humano e em pesquisa e desenvolvimento, e a persistência da vulnerabilidade externa e dos desequilíbrios estruturais, como a interrupção da redução da pobreza e a limitada diversificação produtiva.

Bárcena lembrou que o resto do mundo também enfrenta baixas taxas de crescimento econômico e do comércio, enquanto os fluxos financeiros adquirem importância crescente. Ao mesmo tempo, as desigualdades aumentaram, assim como a migração para as regiões desenvolvidas e a revolução digital acentuou a concentração empresarial nos Estados Unidos e na Ásia.

A essas mudanças se adicionam a crescentes incertezas e riscos derivados do novo contexto geopolítico. “Um sistema internacional com poucas regulações e onde os mecanismos multilaterais são fracos favorece atores mais fortes”, disse Bárcena. Frente a isso, ela aposta no fortalecimento da governança da globalização e na promoção de novas alianças público-privadas que permitam gerar uma mudança na estrutura produtiva dos países da América Latina e do Caribe sobre a base de um grande impulso ambiental.

Para isso, Bárcena afirmou ser necessário colocar em prática políticas fiscais ativas que reduzam a evasão fiscal e atentem para os gastos públicos, assim como diversificar a carteira de investimentos para setores diferentes dos extrativos, impulsionar a industrialização, aumentar o componente local da produção, fomentar a integração produtiva inter-regional, acelerar a facilitação do comércio, implementar um programa regional de infraestrutura e avançar para um mercado único digital.