Inclusão política, social e econômica é chave para conter Boko Haram, diz chefe de direitos humanos da ONU

“Profundas desigualdades, corrupção e a marginalização que resulta disso, geram descontentamento. E quanto mais marginalizadas e desesperadas as pessoas estão, mais chance delas entrarem em movimentos radicais e violentos”, disse Zeid Ra’ad Al Hussein ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Refugiados nigerianos que tiveram deixar o país pela violência do Boko Haram, na vila de Guesseré, em Níger. Foto: IRIN/Anna Jefferys

Refugiados nigerianos que tiveram deixar o país pela violência do Boko Haram, na vila de Guesseré, em Níger. Foto: IRIN/Anna Jefferys

Oportunidades políticas, sociais e econômicas são a chave para reduzir as latentes tensões étnicas e sectárias na Nigéria e conter a ameaça crescente do Boko Haram – que já matou mais de 15 mil pessoas desde 2009 – afirmou, nesta quarta-feira (01), o chefe de direitos humanos das Nações Unidas.

“Profundas desigualdades, corrupção e a marginalização que resulta disso, geram descontentamento. E quanto mais marginalizadas e desesperadas as pessoas estão, mais chance delas entrarem em movimentos radicais e violentos”, disse Zeid Ra’ad Al Hussein, abrindo a 23ª sessão especial do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra (Suíça), sobre ataques terroristas e abusos cometidos pelo Boko Haram.

Apesar de elogiar as operações conjuntas dos governos de Chade, Níger, Camarões e Nigéria, que reconquistaram cidades que estavam sob o comando do Boko Haram, Zeid enfatizou a necessidade de “uma análise aprofundada e lúcida das possíveis raízes do conflito”, sugerindo que uma maior participação na tomada de decisão, melhora nos serviços e ampla oportunidade política social e econômica são essenciais para a construção de uma sociedade inclusiva, desprovida das tensões que alimentam o extremismo.

“A solução nunca poderá ser encontrada se a real dimensão do problema em questão é negada. Vencer esta ameaça requer uma atenção constante que vai além do uso da força militar. Fortalecer o Estado de Direito, repelir leis discriminatórias e implementar políticas inclusivas precisam ser parte da resposta às violações do Boko Haram”, disse, elogiando a iniciativa do governo nigeriano para recuperar o desenvolvimento no nordeste do país.

O conflito na Nigéria se espalhou pela fronteira e já causou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas. De acordo com o Escritório para Refugiados da ONU (ACNUR), há cerca de 66 mil nigerianos refugiado em Camarões, 18 mil no Chade e outros 100 mil em Níger. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alerta que mais da metade das famílias deslocadas em Níger sofrem de insegurança alimentar e necessitam de assistência.