Indústria têxtil e sindicatos assinam acordo para melhorar segurança nas fábricas de Bangladesh

Acordo é apenas “primeiro passo” na direção certa, diz enviado da ONU. Empresas têm 45 dias para desenvolver ação que monitore produção têxtil no país.

Centenas de pessoas morreram e milhares ficaram feridas no desabamento de um prédio no subúrdio da capital Daca. Foto: IRIN

Centenas de pessoas morreram e milhares ficaram feridas no desabamento de um prédio no subúrdio da capital Daca. Foto: IRIN

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) elogiou na terça-feira (14) um acordo assinado por marcas internacionais de moda, varejistas e sindicatos para prevenir desastres em locais de trabalho.

As empresas que assinaram o Acordo sobre a Construção e a Segurança contra Incêndios, como Zara e H&M, têm 45 dias para desenvolver um plano de implementação para monitorar sua produção têxtil em Bangladesh.

Segundo a OIT, elas se comprometeram “a dar segurança e promover a sustentabilidade da indústria de roupas de Bangladesh em que nenhum trabalhador precisará ter medo de incêndios, desmoronamento de construções ou outros acidentes que podem ser evitados com medidas de segurança razoáveis”.

O porta-voz da OIT, Hans von Rohland, disse a jornalistas na terça-feira (14) que relatórios da agência mostram que em 2002 havia apenas um inspetor para monitorar 1 milhão de trabalhadores em Bangladesh. Em um país da mesma região, como a Malásia, havia um inspetor para 5 mil trabalhadores. Mais de mil pessoas morreram em um desabamento recente de um prédio onde estava instalada uma fábrica do setor.

Em uma coletiva de imprensa, von Rohland disse que o acordo é apenas o “primeiro passo” na direção certa. A OIT disse que está pronta para prestar o apoio adequado a esta iniciativa, ajudando a garantir a efetiva implementação e coordenação com organizações nacionais.

A agência acrescentou que também está trabalhando ativamente para alcançar as metas acordadas pelo governo, pela indústria de vestuário e pelos sindicatos durante uma recente visita da OIT ao país, incluindo a necessidade de reformar as leis trabalhistas do país para alinhá-las com as normas internacionais.

Diálogo é a chave para eleições pacíficas no final do ano

O secretário-geral adjunto para assuntos políticos, Oscar Fernández-Taranco. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

O secretário-geral adjunto para assuntos políticos, Oscar Fernández-Taranco. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

O secretário-geral adjunto da ONU para assuntos políticos, Oscar Fernández-Taranco, ressaltou na segunda-feira (13) a necessidade de um diálogo político mais significativo e construtivo em Bangladesh para criar condições propícias para a realização de eleições legislativas pacíficas e confiáveis programadas para o final deste ano.

“Todos têm afirmado seu compromisso de trabalhar para esse objetivo”, disse ele após uma visita de quatro dias ao país. “Estou especialmente animado que a primeira-ministra reiterou a sua vontade de dialogar, que é o ponto de partida crucial.”

Além de se reunir com a primeira-ministra Sheikh Hasina, ele também realizou discussões em Daca, capital do país, com o presidente do Partido Nacionalista de Bangladesh, o presidente da Câmara, o ministro das relações exteriores, o comissário chefe da eleição, os líderes dos principais partidos políticos e representantes da sociedade civil e dos meios de comunicação.

Fernández-Taranco observou que o país está testemunhando “um aumento significativo” no número de incidentes violentos. No início deste mês, mais de 30 pessoas morreram e 60 ficaram feridas em confrontos entre a polícia e manifestantes em Daca.

“Proteger a democracia, manter a estabilidade e promover a paz e o desenvolvimento tem que ser a prioridade de todos neste país neste momento crítico”, frisou Fernández-Taranco. “É responsabilidade de todos os interessados ​ trabalhar juntos para criar um ambiente propício que permita eleições livres, justas e confiáveis, inclusivas e não violentas.”