Informação é essencial para promover saúde reprodutiva das mulheres, destaca UNFPA em Pernambuco

Em encontro com a Secretaria de Políticas para Mulheres de Pernambuco, o Fundo de População das Nações Unidas chamou atenção para a epidemia de zika e suas condições neurológicas associadas. Acesso à informação é importante para a prevenção e para garantir direitos reprodutivos e sexuais das mulheres.

Em Recife, a mãe Germana Soares, de 24 anos, criou um grupo de WhatsApp para trocar experiências com outras mães que tiveram filhos com microcefalia. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Em Recife, a mãe Germana Soares, de 24 anos, criou um grupo de WhatsApp para trocar experiências com outras mães que tiveram filhos com microcefalia. Foto: UNICEF/BRZ/Ueslei Marcelino

Na semana passada (13), a equipe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil reuniu-se com a Secretaria de Políticas para Mulheres de Pernambuco (SPM-PE) para conhecer as ações do estado voltadas para a saúde reprodutiva e sexual do público feminino.

Um dos destaques do encontro foi a necessidade de garantir o acesso à informação sobre reprodução e sobre zika e condições neurológicas associadas.

A coordenadora em Saúde da Secretaria, Rejane Neiva, destacou a abrangência do programa Mãe Coruja, que busca reduzir a mortalidade materna e infantil. Segundo a especialista, 177 entidades municipais de políticas para mulheres têm participado do projeto.

A articulação entre os dois níveis de governo quer “levar o empoderamento das mulheres para que elas busquem apoio em seus municípios”, explicou Rejane, que destacou também a importância das ações de comunicação. “O trabalho no qual a gente precisa investir é o da prevenção e informação. Para que uma mulher bem informada saiba decidir e saiba o que fazer sobre a sua saúde sexual e reprodutiva”.

A respeito da atual epidemia do vírus zika, a coordenadora expressou preocupação quanto à informação que a população tem recebido sobre a doença e condições possivelmente associadas, como a microcefalia. “A maneira como o zika e a microcefalia têm sido noticiados abre precedentes para que cada uma possa interpretar da sua forma, o que consequentemente ocasiona a criação dos mitos”, alertou.

O representante do UNFPA, Jaime Nadal, destacou que embora o foco da mídia esteja na microcefalia, “o zika ocasiona muitas outras síndromes congênitas que não estão recebendo atenção”. “Quanto mais informações sobre o vírus recebemos, mais conseguimos ter a dimensão desse impacto”, disse o dirigente.

Para a representante auxiliar da agência da ONU, Fernanda Lopes, “a informação é fundamental para que a mulher possa ter a possibilidade de tomar decisões sobre quando, quantos ou se pretende ter filhos. Através da informação, é possível garantir que elas tenham acesso aos seus direitos sexuais e reprodutivos”.

Segundo Lopes, cabe ao estado “estar pronto para dar suporte às mulheres de acordo com as suas decisões. Caso elas queiram ter filhos, é preciso apoio para essa maternidade. E caso elas desejem esperar, é preciso que tenham acesso aos insumos contraceptivos”.