Em seu terceiro dia (2), apelidado de ‘Dia da Resiliência’, a Cúpula do Clima da ONU contou com o lançamento de diversas parcerias para fortalecer a economia e o desenvolvimento face às crises climáticas do futuro.

Pacto para a proteção dos sistemas hidrológicos foi uma das iniciativas anunciadas nesta quarta-feira (2). Imagem do Rio Limpopo, em Moçambique. Foto: Departamento de Defesa dos Estados Unidos
Ao longo do terceiro dia da COP21 (2), apelidado de ‘Dia da Resiliência’, a ONU e os governos da França e do Peru anunciaram parcerias que vão mobilizar financiamento para proteger os povos mais vulneráveis aos impactos do clima. As iniciativas, formuladas no âmbito da Agenda de Ação Lima para Paris, pretendem fortalecer as capacidades de adaptação às mudanças climáticas. Segundo a Fundação Rockefeller, nos últimos 30 anos, um a cada três dólares gastos em desenvolvimento foi perdido por causa de fenômenos extremos recorrentes, que já afetam a população mundial.
“Mesmo que nós suspendêssemos todas as emissões hoje, já há gases de efeito estufa suficientes na atmosfera para que o clima continue a mudar”, afirmou o secretário-geral assistente da ONU para as Mudanças Climáticas, Janos Pasztor. Para o especialista, o investimento na resiliência das sociedades é fundamental, pois permitirá ajustar os processos econômicos e de desenvolvimento às transformações futuras do meio ambiente.
“Quando falamos de resiliência, falamos sobre como nós podemos resistir e evitar consequências negativas para a nossa população humana, para a vida selvagem, para o habitat, para os ecossistemas, para a água, para o oceano”, explicou o ministro do Meio Ambiente peruano, Manuel Pulgar-Vidal. Informações da Fundação Rockefeller indicam que prejuízos nas últimas três décadas provocados por desastres naturais somam 3,8 trilhões de dólares.
Nesta quarta-feira (2), o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) também anunciou um novo projeto. Apoiada pelos governos da Austrália, Canadá, França, Alemanha, Luxemburgo e Holanda, a agência da ONU lançou o Sistema de Alerta Prévio de Risco Climático (CREWS). Os países envolvidos vão doar mais de 80 milhões de dólares para equipar cerca de 80 países com sistemas de monitoramento de desastres.
Num primeiro momento, o programa ajudará as nações mais expostas entre os países menos desenvolvidos e os pequenos estados insulares, que enfrentarão mais riscos na medida em que a frequência dos fenômenos climáticos aumente.
Outra nova parceria anunciada foi o Pacto de Paris sobre Água e Adaptação à Mudança Climática, que deseja tornar os sistemas hidrológicos mais resilientes ao clima. Quase 290 organizações que desempenham atividades junto a bacias hidrográficas participaram da criação da iniciativa, além de outros representantes da sociedade civil, dos governos e do setor privado.