Iniciativas inovadoras de proteção das florestas ganham impulso na COP22

Entre as iniciativas apresentadas, Colômbia anunciou planos florestais ligados ao processo de paz, incluindo uma iniciativa para colocar grandes áreas de floresta sob o controle dos povos indígenas. Autoridades marroquinas, por sua vez, anunciaram a iniciativa para florestas na região do Mediterrâneo e do Sahel, que busca ajudar países da região a cumprir os compromissos multilaterais no tema.

Uma torneira da água em Ruanda. Foto: Banco do mundo / A'Melody Lee

Uma torneira da água em Ruanda. Foto: Banco do mundo / A’Melody Lee

Os esforços globais para gerenciar de forma sustentável as florestas e cumprir os objetivos relacionados às mudanças climáticas tiveram grande impulso na quarta-feira (9) durante a Conferência das Partes sobre o Clima (COP22), em Marrakesh, no Marrocos. Diversos projetos para proteção dessas áreas foram anunciados por países da Ásia, África e América do Sul.

Entre as iniciativas apresentadas, a Colômbia anunciou planos florestais ligados ao processo de paz, incluindo uma iniciativa para colocar grandes áreas de floresta sob o controle dos povos indígenas.

Autoridades marroquinas, por sua vez, anunciaram a iniciativa “ação reforçada em favor das florestas na região do Mediterrâneo-Sahel”, que visa a ajudar países da região a cumprir os compromissos multilaterais para as áreas florestais.

“Nós sabemos que a perda líquida de florestas anuais está diminuindo, uma diminuição de 25% em 2015 em relação a 2000. Mas isso diz respeito à restauração, regeneração e ao reflorestamento. O desmatamento da floresta tropical, no entanto, infelizmente continua”, alertou a negociadora do Acordo de Paris e embaixadora do clima Laurence Tubiana.

“O Acordo de Paris está ajudando. Mas nós temos de melhorá-lo se quisermos realmente ser consistentes com as metas”, continuou Tubiana.

Também presente na conferência, o diretor-geral assistente para florestas da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO), René Castro Salazar, alertou para a complacência.

“Florestas ainda estão desaparecendo a cerca de três milhões de hectares por ano, especialmente as naturais. Esperamos que os quatro bilhões de hectares de floresta restantes sejam geridos de forma sustentável, pois é a única maneira de preservar os recursos. O combate às mudanças climáticas não pode ser feito sem um programa de gerenciamento florestal sustentável”, ressaltou.

De acordo com o Salazar, florestas saudáveis ajudam a combater as mudanças globais do clima e também contribuem para muitas outros objetivos de desenvolvimento global ao fornecerem alimentos, renda, combustível e abrigo.

“As florestas são uma das maiores e mais rentáveis respostas que temos para a mudança climática”, acrescentou a administradora mundial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark.

Nos esforços para combater as mudanças climáticas, as florestas desempenham um papel importante, pois absorvem e armazenam carbono, eliminando as emissões na atmosfera.

No entanto, o desmatamento e a degradação florestal têm o efeito oposto. Atualmente, o desmatamento e a degradação florestal são responsáveis por 12% das emissões globais de carbono.

COP22 destaca a água como primeira vítima das mudanças climáticas

Durante encontro da COP22 realizado na quarta-feira (9), participantes também destacaram a necessidade de reconhecer a água como a primeira vítima da mudança climática, bem como a importância de gerenciar de maneira integrada e sustentável esse recurso.

“A água é um dos recursos mais impactados pela mudança climática, mas esse recurso também oferece solução para os desafios relacionados ao clima”, disse o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga.

“A água e o clima estão relacionados. Na escola, todos nós estudamos os ciclos da água. A água conecta tudo. Alguns países têm 97% da energia renovável gerada a partir desse recurso. Ela é fundamental para o desenvolvimento humano; para a educação; para a saúde; e para a estabilidade e segurança alimentar”, acrescentou a ministra encarregada do meio ambiente no Marrocos, Hakima El Haité.

Haité disse que ela e Laurence Tubiana vão trabalhar juntas para facilitar o diálogo entre as partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e os interessados.

Coleta de água potável em Badnoogo, Burkina Faso. Foto Banco Mundial / Dominic Chavez

Coleta de água potável em Badnoogo, Burkina Faso. Foto Banco Mundial / Dominic Chavez

“A água não é apenas um problema, é parte da solução e fator-chave para o desenvolvimento humano”, disse o ministro da água do Marrocos, Charafat Afailal.

Durante o encontro, o governo marroquino também lançou a iniciativa “Água para a África”, com apoio do Banco Africano para o Desenvolvimento.

O projeto quer adotar um plano de ação específico para mobilizar diferentes parceiros políticos, financeiros e institucionais de todo o mundo a melhorar a gestão dos serviços de água e saneamento para os mais afetados pelas mudanças climáticas.

Sete dos dez países mais ameaçados pelas mudanças climáticas estão na África, e a água é o primeiro setor que mais afeta a população da região devido à mudança do clima.