Insegurança impede o regresso de milhares de deslocados na Costa do Marfim

ACNUR registra mais de 320 mil deslocados internos e o número ainda pode aumentar porque existem focos de tensão em áreas recentemente atacadas por mercenários pró-Gbagbo.

Dois meses depois da crise eleitoral, a Costa do Marfim ainda tem pelo menos 322.277 deslocados internos e a insegurança em algumas regiões impede o regresso deles, informou hoje (14/06) o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Ainda há, também, mais de 200 mil refugiados marfinenses em diversos países da África ocidental.

Os deslocados internos estão em campos ou abrigados em casas de famílias, especialmente no oeste do país. A população relatou melhora nas condições para o regresso em algumas das áreas mais prejudicadas pelos conflitos, como Zouan-Hounien e Teapleu.

A crise política no país acabou em 11 de abril, quando o ex-presidente Laurent Gbagbo aceitou deixar o poder após meses de violência originada por sua recusa. Ele havia perdido a eleição de novembro para Alassane Ouattara. Entretanto, o ACNUR notou que ainda há grande tensão na região de Sassandra, onde 280 civis foram assassinados no começo de maio por mercenários pró-Gbagbo.

“Muitos dos mortos foram enterrados em valas comuns. Mais de 500 casas e uma farmácia foram destruídas em cinco vilarejos”, afirmou a Porta-Voz do ACNUR Melissa Fleming, na Suíça. “Estima-se que haja 17 mil deslocados internos nessa região e o número de pessoas escondidas na floresta ainda é desconhecido.”

O ACNUR continua realizando visitas na região e tem descoberto novos grupos de deslocados. Além de levar alimentos e outros artigos de necessidade básica, a agência e seus parceiros estão construindo campos para abrigar quem não tem condição de voltar para casa. A estimativa é de que esta crise gerou um milhão de deslocados, incluindo os que fugiram para países vizinhos.