Instabilidade no Iêmen e Quênia torna situação de refugiados somalis ainda mais perigosa

No Iêmen, há relatos de sequestros e dificuldade de atuação humanitária. No Quênia, chuvas e operações militares na fronteira justificam redução no número de refugiados.

A instabilidade do Iêmen e Quênia está tornando a situação dos refugiados somalis ainda mais precária. Cerca de 320 mil somalis já emigraram de sua terra natal em 2011 por conta da deterioração das condições humanas na Somália. A maioria busca segurança e assistência nos vizinhos Quênia e Etiópia. Outros 20 mil refugiados foram para o Iêmen.

O aumento no fluxo de somalis emigrando para o Iêmen e a instabilidade do país do Golfo Árabe está tornando a situação dos imigrantes ainda mais complexa e perigosa. Há relatos de dificuldade de atuação humanitária, sequestros e uma forte presença de traficantes e coiotes ao longo da costa do Mar Vermelho. “Outra tendência marcante tem sido a ocorrência de abusos e ataques sexuais a mulheres refugiadas e migrantes enquanto realizam a travessia marítima”, disse o porta-voz da Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), Andrej Mahecic.

As atuais condições do Iêmen fazem refugiados considerarem a possibilidade de retornar à Somália. Estima-se que 196 mil refugiados somalis estejam neste momento no Iêmen.

No Quênia, o número de refugiados somalis chegando ao complexo de Dabaad, noroeste do país, tem diminuído. “Este fato pode ser consequência das operações militares na fronteira ou do início do período de fortes chuvas na região. Nenhum recém-chegado visitou o centro de registro do campo na última semana”, afirmou Mahecic.

Dadaab é o maior complexo de refugiados do mundo, abrigando mais de 463 mil refugiados. Cerca de 190 mil deles chegaram este ano após fugirem da insegurança e da fome na Somália.