Medidas para aprofundar a integração econômica entre países da América Latina e do Caribe tornariam a região mais competitiva nos mercados internacionais e estimulariam o crescimento no longo prazo, afirmou novo relatório publicado pelo Banco Mundial.
O relatório sustenta que uma renovada estratégia de integração, que aproveite os benefícios das complementariedades entre a integração econômica regional e global, pode contribuir para o crescimento com estabilidade. Isto é especialmente importante para uma região que está se recuperando após dois anos de recessão, afirmou a instituição.

Para Banco Mundial, países latino-americanos e caribenhos precisam intensificar a integração regional para retomar o crescimento. Foto: APPA
Medidas para aprofundar a integração econômica entre países da América Latina e do Caribe tornariam a região mais competitiva nos mercados internacionais e estimulariam o crescimento no longo prazo, afirmou novo relatório publicado nesta terça-feira (14) pelo Banco Mundial.
O relatório sustenta que uma renovada estratégia de integração, que aproveite os benefícios das complementariedades entre a integração econômica regional e global, pode contribuir para o crescimento com estabilidade. Isto é especialmente importante para uma região que está se recuperando após dois anos de recessão, afirmou a instituição.
“No mundo atual, a integração econômica regional oferece um caminho para reativar o crescimento econômico necessário à redução da pobreza e à promoção da prosperidade compartilhada”, afirmou Jorge Familiar, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe.
“Uma integração intra-regional mais robusta nos tornará mais competitivos na arena global. Para ser eficaz, a integração exige investimentos em infraestrutura, conectividade e logística, o que poderá impulsionar ainda mais o crescimento econômico.”
Desde os anos 1960, a região vem promovendo sua integração, e essas iniciativas se intensificaram a partir de meados da década de 1990. Ainda assim, as exportações entre países da América Latina se mantêm em um nível persistente de 20% do total, muito abaixo dos 60% ou 50% das exportações intra-regionais na União Europeia e no Leste da Ásia e Pacífico, respectivamente.
Por esta razão, o estudo propõe um “regionalismo aberto” que aproveite as sinergias inexploradas entre a integração econômica regional e global, com base na premissa de que uma integração com o mundo que favoreça o crescimento não pode ser alcançada sem primeiro fortalecer a vizinhança regional.
Nesse sentido, o relatório estabelece uma estratégia com cinco vertentes interdependentes. A primeira delas é uma maior redução tarifária externa. Segundo o documento, isso permitiria estimular a atividade econômica local, atrair investimento estrangeiro, proporcionar o intercâmbio de conhecimento entre países vizinhos na região e, por fim, facilitar a entrada coletiva nos mercados de exportação globais.
A segunda vertente seria uma maior integração econômica entre América do Sul, América Central, Caribe e México. De acordo com o relatório, por meio de novos acordos preferenciais de comércio (APCs), essas sub-regiões poderiam se beneficiar ainda mais de suas complementariedades, obtendo ganhos adicionais com o comércio. Isto será especialmente relevante para economias pequenas que se integrem com outras maiores, afirmou o documento.
A terceira vertente estratégia seria a harmonização de normas e procedimentos. Segundo o Banco Mundial, é necessário permitir que as empresas utilizem materiais provenientes de outros países sem perder acesso preferencial — como costuma acontecer com as normas estabelecidas pelos APCs existentes —, contribuindo para que a região obtenha ganhos mais elevados com esses acordos. A harmonização dos padrões regulatórios também poderia ajudar a região a obter proveito do avanço já significativo em direção a uma rede integrada de energia.
A quarta frente estratégica seria a concentração dos esforços na redução do alto custo comercial. A falta de uma infraestrutura de qualidade e a difícil topografia torna as distâncias mais dispendiosas para o comércio latino-americano. O percentual de estradas não pavimentadas no continente é de aproximadamente 70%, o que faz com que o transporte terrestre eleve o custo comercial. A baixa eficiência portuária também faz com que a conectividade da região com as redes de transporte marítimo e aéreo seja comparativamente mais fraca e cara.
O Banco Mundial sugere como quinta vertente estratégia a maior integração dos mercados de trabalho e de capital. Segundo a instituição, há espaço para aumentar a eficiência regional por meio de fluxos migratórios e de capital mais livres na América Latina. A integração dos mercados de trabalho entre as nações pode contribuir para que os países elevem sua produtividade e estimulem o crescimento mediante a transferência de conhecimento. O Mercado Integrado Latino-americano (MILA), que iniciou suas operações em 2011 e tem como objetivo integrar as bolsas de valores da Colômbia, Chile, México e Peru, também se constitui em um passo na direção certa, buscando melhorar o clima de investimento para todos, afirmou a instituição.
O relatório conclui que, para ter sucesso, a região precisará elaborar e implementar essas políticas inteligentes, embora complexas, com vistas a ampliar a integração econômica intra-regional, reduzindo também as barreiras ao comércio internacional com o restante do mundo. Embora esse processo não seja simples, o estudo argumenta que o momento é oportuno para dar prioridade a essas iniciativas.