Investir no camponês é uma das formas mais eficazes de se reduzir a fome e a pobreza, afirma FAO

Relatório mostra que investimentos em pesquisa científica e nos pequenos agricultores são mais rentáveis e impulsionam o desenvolvimento de países.

Investir em pesquisa e inovação impulsiona a agricultura e reduz a pobreza. Foto: FAOAs estratégias de investimento agrícola deveriam se concentrar nos mais de um bilhão de agricultores do mundo, como uma das formas mais eficazes de se reduzir a fome e a pobreza, ao mesmo tempo em que se protege o meio ambiente – esta é a principal mensagem de um dos relatórios anuais mais importantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), O Estado Mundial da Agricultura e Alimentação 2012, apresentado hoje (6) em Roma.

Dados do relatório mostram que os agricultores de países de baixa e média renda investem mais de 170 bilhões de dólares por ano em suas fazendas – cerca de 150 dólares por agricultor. Este valor é três vezes maior do que todas as outras fontes de investimento combinadas, quatro vezes maior do que as contribuições do setor público, e mais de 50 vezes o da ajuda oficial ao desenvolvimento que recebem esses países.

Entretanto, esses agricultores não têm o incentivo necessário para investir e muitas vezes acabam encontrando entraves para sua produção. Entre eles destacam-se a extrema pobreza, os direitos de propriedade fracos e falta de acesso a mercados e serviços financeiros.

Os governos nacionais, segunda maior fonte de investimento na agricultura, devem canalizar seus limitados recursos públicos para áreas que já provaram ser muito favoráveis ao crescimento agrícola e à redução da pobreza, tais como pesquisa e desenvolvimento agrícola, infraestrutura rural e educação, além do incentivo aos pequenos agricultores. De acordo com o estudo da FAO, nos últimos 20 anos os países com as maiores taxas de investimento na agricultura têm feito os maiores progressos em reduzir a fome pela metade, para atender ao primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

“É necessária uma nova estratégia de investimento que esteja centrada nos produtores agrícolas”, afirmou o Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva. “O desafio é concentrar investimentos em áreas onde se obtenham resultados. É importante garantir que os investimentos resultem em altos retornos econômicos e sociais e em sustentabilidade ambiental.”