Iraque: Comunidades e líderes religiosos devem condenar as atrocidades do Estado Islâmico, diz ONU

De acordo com o escritório de direitos humanos da ONU, dois milhões de pessoas foram deslocadas pelo conflito atual no Iraque e quase um milhão fugiram para a região do Curdistão.

Refugiados em acampamento perto de Erbil, no norte do Iraque. Foto: UNAMI

Refugiados em acampamento perto de Erbil, no norte do Iraque. Foto: UNAMI

Após uma longa visita ao Iraque, o secretário-geral assistente da ONU para os direitos humanos, Ivan Simonovic, alertou que o Estado Islâmico (EI) e os grupos armados aliados continuam praticando atrocidades e violações generalizadas e sistemáticas dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário internacional, que em alguns casos podem se constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Simonovic disse que o EI está aterrorizando a população local, ao impor medidas brutais com base em sua “interpretação extremamente radical e injusta do Islã”, principalmente com as comunidades étnicas e religiosas, com o objetivo de reprimir, expulsar ou destruir essas minorias. Além disso, estas ações têm causado a divisão destas comunidades.

Em sua visita ao país, o representante de direitos humanos se encontrou com várias vítimas dessa barbárie, inclusive uma menina de 12 anos que foi submetida à escravidão sexual; um pai que viu os seus quatro filhos serem assassinados ao se recusarem a converter-se ao Islã; e um um menino que sobreviveu uma execução massiva – incluindo do seu pai e seus irmãos – apesar de ter sido atingido por seis balas.

“Os líderes comunitários, pessoas idosas, bem como as autoridades religiosas, devem levantar suas vozes e condenar as violações dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário do EI, além de exigir o cuidado e a proteção das vítimas, não importa suas filiações étnicas, religiosas ou outras”, acrescentou o secretário-geral assistente.

Na ocasião da visita, ele se reuniu com ministros e representantes do governo iraquiano e da sociedade civil para abordar sobre os desafios “crônicos” dos direitos humanos incluindo a corrupção, os problemas administrativos do sistema de justiça criminal e os direitos das mulheres. 

Simonovic defendeu a adesão do Iraque ao Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI), e a aceitação imediata desta jurisdição para levantar os processos contra os crimes que foram cometidos durante o conflito em curso. Além disso, ele destacou que apesar do novo governo iraquiano parecer bem intencionado para resolver a situação, ele necessita de um amplo apoio local e internacional para pôr fim às atrocidades e superar as tentativas do EI de querer dividir a sociedade. 

De acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH), dois milhões de pessoas foram deslocadas pelo conflito atual no Iraque e quase um milhão fugiram para a região do Curdistão.