Enviado especial da ONU pede que Governo atenda reivindicações de manifestantes em uma série de questões, principalmente em relação às violações dos direitos humanos.

Representante Especial para o Iraque, Martin Kobler. Foto: ONU/Devra Berkowitz
As demandas de dezenas de milhares de manifestantes iraquianos sobre questões de direitos humanos e de acesso a serviços básicos devem ser abordadas com urgência pelo Governo, afirmou na quinta-feira (21) o Representante Especial do Secretário-Geral para o Iraque, Martin Kobler.
Desde final de dezembro do ano passado, milhares de manifestantes nas províncias ocidentais do Iraque vão às ruas para expressar suas queixas. O Governo tem tomado medidas para resolver algumas de suas preocupações, entretanto Kobler destacou que mais precisa ser feito, especialmente na área de direitos humanos.
“[Os manifestantes] se sentem desprotegidos, inseguros e excluídos”, disse o representante ao apresentar o último relatório sobre as atividades da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI) para o Conselho de Segurança. “Em todo o país, ouvimos frustrações de manifestantes. Com o tempo, eles passaram a falar mais com mais firmeza e propor soluções mais radicais.”
Kobler também observou que, desde o início das manifestações, a UNAMI tem procurado promover o diálogo político e a reconciliação nacional entre o governo e os manifestantes. No entanto, ele avisou que a Missão não continuará neutra em caso de violações dos direitos humanos.
“Temos nos expressado contra o crescente uso de linguagem sectária. Defendemos o princípio da não violência, inclusive para os manifestantes. Pedimos ao Governo para exercer a máxima moderação”, ressaltou.
A desconfiança entre as diversas comunidades do Iraque é uma constante preocupação, uma vez que membros de diversos grupos étnicos e sociais continuam a ser alvo de atos terroristas. Desde novembro, 1.300 civis e 591 membros das forças de segurança foram mortos em ataques terroristas, com mais de 4 mil pessoas feridas.
Estes desafios, agravados pelo potencial alastramento da violência do conflito na Síria, ameaçam as realizações iraquianas da última década. O Iraque abriga atualmente cerca de 120 mil refugiados sírios, a maioria deles localizados na região do Curdistão.