Mulheres e meninas yazidis são vítimas de escravidão sexual e chegam a ser vendidas pelo preço de um maço de cigarros por terroristas do ISIL. Governo tem que levar responsáveis por atrocidades à justiça e garantir um país mais inclusivo para minorias em risco, diz a especialista independente.

Manifestantes em Erbil pedem mais proteção e assistência humanitária para os yazidis. Foto: PMA / Mohammed Al-Bahbahani
A relatora especial das Nações Unidas para questões de minorias, Rita Izsák-Ndiaye, alertou nesta terça-feira (8) para os riscos enfrentados por diferentes grupos étnicos e religiosos no Iraque. Em meio à “criminalidade brutal” promovida pelos terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) contra todas as comunidades do país, populações de minorias sentem-se ‘vulneráveis e abandonadas’.
A especialista independente recebeu informações de que mulheres e meninas yazidis foram capturadas pelo ISIL e submetidas à fome, à escravidão sexual e ao comércio de pessoas. Segundo Izsák-Ndiaye, jovens são vendidas pelo preço de um maço de cigarros, enquanto os homens e rapazes dessa minoria têm sido vítimas de massacres em massa pelos terroristas.
“Os perpetradores têm que ser levados à justiça para que seja posto um fim no imenso sofrimento dessas comunidades vulneráveis”, disse a relatora.
O combate ao terrorismo, porém, não pode ser a única medida do governo para lidar com a marginalização histórica das minorias. Para a especialista, os desafios desse grupo “não começaram, nem terminarão com os crimes de terroristas”.
Em visita de cinco dias a Bagdá, Erbil, Dohuk e seus arredores, a relatora avaliou as condições de vida também de outros grupos, como os cristãos, mandeístas, turcomanos, baha’i, kaka’i, shabak, alguns grupos curdos e zoroastrianos, muitos dos quais vivem em campos para deslocados internos.
“Devido a anos de marginalização, conflito, tensões étnicas e religiosas, e o terrorismo recente, as comunidades parecem ter perdido a confiança umas nas outras e no governo”, afirmou Izsák-Ndiaye. Para a relatora, é preciso reconstruir, com mais representatividade e inclusão, a confiança de minorias, que já começam a questionar a sua permanência no país.
O posicionamento das autoridades iraquianas “têm que vir na forma de políticas legais e de proteção institucional, com medidas concretas e imediatas para assegurar sua segurança (dos grupos), dignidade, direitos e igualdade”.
Izsák-Ndiaye pediu ainda esforços coordenados para que mulheres e meninas mantidas em cativeiro sejam libertadas. Valas para o despojo dos corpos das vítimas e outras provas das atrocidades cometidas por terroristas devem ser protegidas e preservadas para investigações posteriores.