Iraque: Missão da ONU alerta para aumento dos riscos para civis em Fallujah

Área é controlada pelo ISIL há mais de dois anos. Estima-se que 3 milhões de pessoas vivem sob controle do grupo terrorista, o que dificulta o acesso a ajuda humanitária. Missão da ONU recebeu relatos de que o grupo matou civis que tentam sair e controla possíveis rotas de fuga.

Civis em Fallujah, Iraque, estão em risco extremo e precisam de ajuda urgente. Foto: OCHA Iraque

Civis em Fallujah, Iraque, estão em risco extremo e precisam de ajuda urgente. Foto: OCHA Iraque

A Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI) disse que está recebendo relatos de que as condições humanitárias estão piorando e o sofrimento humano está aumentando na cidade de Fallujah, que está sob o controle do Estado Islâmico no Iraque e do Levante (ISIL/Da’esh) por mais de dois anos.

Com o cerco de Fallujah se ampliando, suprimentos não estão chegando aos civis e há “relatos credíveis de informantes-chave” de que as pessoas que querem deixar a cidade e procurar segurança são incapazes de fazê-lo, disse a missão da ONU em um comunicado de imprensa.

“Estamos profundamente preocupados com Fallujah. Há relatos de escassez generalizada de alimentos e falta de medicamentos”, destacou Lise Grande, coordenadora humanitária da ONU para o Iraque.

“Nós não temos acesso à cidade, mas temos que assumir com base no que estamos ouvindo que as pessoas estão em apuros”, acrescentou.

Descrevendo Fallujah como “uma zona de conflito ativa”, Grande disse que a UNAMI recebeu relatórios de que o ISIL matou civis que tentam sair e controla possíveis rotas de fuga.

A Missão também recebeu relatos de que a pouca comida e medicamentos disponíveis têm sido usados por combatentes do grupo terrorista. “Com tanta coisa em jogo, todas as partes em conflito têm de fazer todo o possível para proteger os civis e respeitar seu direito de receber apoio humanitário que salva vidas”, disse Grande.

A missão da ONU disse que os parceiros humanitários continuam cooperando com as autoridades civis e militares para encontrar as melhores maneiras de alcançar civis em áreas sob cerco.

A ONU estima que 10 milhões de pessoas no Iraque precisem de alguma forma de assistência humanitária, incluindo 3,4 milhões de pessoas que foram deslocadas desde janeiro de 2014. Estima-se que 3 milhões de pessoas vivem sob controle do ISIL, enquanto mais de 540 mil retornaram às suas casas.