Dois assessores especiais do secretário-geral condenaram veementemente o que pode constituir crimes de guerra, cometidos por grupos terroristas. Comunidade cristã está sofrendo perseguição. Agências da ONU estão apoiando milhares de deslocados.
Dois assessores especiais do secretário-geral condenaram veementemente o que pode constituir crimes de guerra, cometidos por grupos terroristas. Comunidade cristã está sofrendo perseguição. Agências da ONU estão apoiando milhares de deslocados.

Uma mulher iraquiana de Mosul carrega seu filho no campo de trânsito Garmava. Foto: ACNUR/S. Baldwin
“A proteção dos civis deve ser o foco principal de qualquer estratégia para lidar com a situação atual”, disseram os assessores especiais do secretário-geral da ONU sobre a prevenção de genocídios, Adama Dieng, e sobre a responsabilidade de proteger, Jennifer Welsh, nesta quinta-feira (19), condenando veementemente o que pode constituir crimes de guerra cometidos no Iraque por grupos terroristas e armados, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL).
Eles também expressaram preocupação com os membros da comunidade cristã que estão fugindo de Mossul e sobre os relatos de incitação para destruir igrejas cristãs. “Dado o contexto de polarização sectária e confessional no país, deve ser considerada, especialmente, a assistência a religiosos e outras minorias que estão particularmente vulneráveis”, acrescentou.
Os assessores especiais apelaram ao Conselho de Segurança da ONU para cooperar com a prestação de ajuda humanitária ao país, acrescentando que é papel do governo e dos líderes iraquianos trabalharem com a Missão de Assistência da ONU no Iraque (UNAMI), garantindo que a ajuda chegue às pessoas.
Meninos usados como homens-bomba
Segundo o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF), pelo menos metade das pessoas deslocadas são crianças, acrescentando que muitos precisam de água e apoio com saneamento, imunização contra a poliomielite e o sarampo, além de serviços de proteção.
Nos últimos dias, autoridades da organização têm expressado profunda preocupação com a situação humanitária dos cerca de 1 milhão de pessoas deslocadas até agora este ano no país, particularmente as crianças, que já estariam sendo recrutadas e usadas por milícias em todos os lados.
“Recebemos informações preocupantes de que as crianças participam nas hostilidades”, disse a representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados, Leila Zerrougui. Seu escritório confirmou nesta sexta-feira (20) a documentação de incidentes de meninos sendo armados, obrigados a trabalhar em postos de controle e, em alguns casos, usados como homens-bomba.
Assistência humanitária
Enquanto isso, aviões de carga com suprimentos de emergência do UNICEF, do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegaram a Erbil esta semana transportando suprimentos que incluem, além de tendas e cobertores, itens diversos para mais de 35 mil crianças.
O PMA também anunciou que iniciou sua distribuição de alimentos de emergência para mais de 43 mil das pessoas deslocadas e vulneráveis no país.
Além disso, o UNICEF e a OMS estão trabalhando com as autoridades sanitárias no país para realizar uma campanha de vacinação em massa para evitar a disseminação da pólio e outras doenças entre as crianças deslocadas e comunidades de acolhimento.