Iraque: ONU pede proteção de civis durante ofensiva para recuperar cidade de Mossul do ISIL

Com o início da ofensiva militar para reconquistar Mossul do domínio do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), a ONU pede que partes envolvidas garantam a proteção dos civis da região e alertam para riscos como tática de escudos humanos e interdições à entrega de ajuda humanitária.

Com o início da ofensiva militar empreendida pelo Iraque para retomar a cidade Mossul de combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL), a ONU pediu no início da semana (17) que os envolvidos garantam a proteção dos civis da região e permitam que eles tenham acesso à ajuda humanitária.

“As famílias estão em extremo risco sob o fogo cruzado e estão sendo alvejadas por
franco-atiradores. Dezenas de milhares de meninas iraquianas, meninos, homens e mulheres podem estar sob cerco ou detidos como escudos humanos”, alertou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, em um comunicado à imprensa.

“Milhões de pessoas também podem ser forçadas a fugir de suas casas em um pior cenário da crise”, acrescentou.

Ressaltando que nada é mais importante do que garantir a proteção dos civis e o acesso à assistência humanitária, O’Brien também pediu a todas as partes envolvidas no conflito que respeitem as suas obrigações no âmbito do direito internacional humanitário.

Ele chamou a atenção para a proteção especial de pessoas vulneráveis, como as crianças, mulheres, deficientes e idosos.

De acordo com o subsecretário-geral da ONU, os acampamentos estão atualmente disponíveis para 60 mil pessoas nos campos e em locais de emergência, e outros estão sendo construídos para atender a mais 250 mil indivíduos.

Além disso, suplementos alimentares para 200 mil famílias estão prontos para serem distribuídos; 143 mil conjuntos de utensílios domésticos de emergência estão em estoque; latrinas e chuveiros estão preparados para serem entregues; e 240 toneladas de medicamentos estão disponíveis em pontos de distribuição.

O’Brien também sublinhou que, apesar das generosas contribuições financeiras dos países doadores, o financiamento é insuficiente para se preparar para um cenário de violência mais grave.

ACNUR também pede proteção de civis

O alto-comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi, que atualmente está em uma missão de quatro dias no Iraque, disse que a segurança dos civis “será indispensável para o futuro do Iraque; para um futuro em que o povo possa viver junto e construir um país próspero”.

Ele acrescentou que a segurança da triagem dos civis que fogem da cidade deve ser realizada “da forma apropriada” e, de preferência, deve ser supervisionada por monitores da ONU.

Para recepcionar e abrigar deslocados internos que fogem da violência em Mossul, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) instalou cinco campos com capacidade para abrigar 45 mil pessoas. Foi definido um planejamento para que sejam abertos mais seis campos nas próximas semanas, que poderão abrigar 120 mil pessoas. As estruturas estão sendo montadas em áreas seguras e distantes do conflito. Cerca de 25 mil tendas estarão à disposição para abrigar mais de 150 mil iraquianos.

Embora o orçamento do organismo internacional esteja subfinanciado — apenas 38% dos 196,2 milhões de dólares solicitados foram recebidos —, o ACNUR conseguiu adquirir 25 mil tendas que estarão à disposição para abrigar mais de 150 mil iraquianos.

Números da agência da ONU indicam que o número de pessoas deslocadas pela guerra no Iraque já atingiu 3,3 milhões, ou quase um décimo da população do país.

É preciso manter as crianças seguras na operação de Mossul, diz UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou que mais de meio milhão de crianças e suas famílias em Mossul estarão sob risco extremo nas próximas semanas devido à escalada da violência.

“As crianças de Mossul já sofreram imensamente ao longo dos últimos dois anos. Muitas podem ter sido deslocadas à força, ter ficado presas entre as linhas de combate, ou ter sido apanhadas no fogo cruzado”, disse o representante do UNICEF no Iraque, Peter Hawkins.

O UNICEF já separou, para uso imediato, água, chuveiros, latrinas e kits de higiene suficientes para mais de 150 mil pessoas, com planos de chegar a mais de 350 mil ao longo das próximas semanas.

Equipes móveis estão de prontidão para cuidar dos casos mais críticos de trauma físico e psicológico entre as crianças.

Em parceria com o Ministério da Saúde, o UNICEF também tem mais de 50 equipes de prontidão para iniciar uma campanha de vacinação contra doenças como poliomielite e sarampo.

“Estamos trabalhando dia e noite para garantir que, onde quer que as crianças estejam, o UNICEF estará lá com elas”, disse Hawkins.

(Na imagem de capa do vídeo, mulheres iraquianas deslocadas aguardam distribuição de água e comida no acampamento de Debaga, na cidade de Arbil, no Iraque. Foto: ACNUR/Ivor Pricket)