Povo Mojahedeen, que tem sido alvo constante de ataques, foi mais uma vez alvo de ataques no campo de Hurriya. Agência da ONU para refugiados pede urgência no reassentamento de 3.200 pessoas.
Menino em um abrigo temporário no Iraque. Foto: ACNUR/H.Caux
A ONU pediu nesta sexta-feira (27) ao governo iraquiano que garanta a segurança dos cerca de 3.200 exilados iranianos que vivem em um campo perto do aeroporto de Bagdá, depois que um ataque com foguetes na quinta-feira (26) teria matado diversos moradores, deixando outros gravemente feridos.
“Este é outro lembrete cruel do aumento da violência no Iraque”, disse Nickolay Mladenov, representante especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no país. Ele expressou “profunda preocupação” com o ataque. Segundo a organização, foguetes caíram no campo Hurriya, que abriga os exilados, muitos deles membros de um grupo conhecido como Povo Mojahedeen do Irã, que tem presença no Iraque desde a década de 1980.
“O governo, em cooperação com a liderança do campo de Hurriya, precisa adotar ações imediatas para assegurar que as medidas apropriadas sejam postas em prática para maximizar a segurança dos moradores”, acrescentou, ressaltando que a responsabilidade de proteger os residentes do campo é do governo, conforme acordo assinado com a ONU em 2011.
“Este último incidente deve ser investigado pelas autoridades e os responsáveis levados à justiça”, disse o representante da ONU.
Tanto Mladenov quanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) pediram que a comunidade internacional intensifique urgentemente os esforços para encontrar oportunidades de reassentamento. “Esta é a garantia definitiva da segurança dos residentes do campo de Hurriya”, disse ele.
Condenando veementemente o ataque de foguetes, o ACNUR apelou aos países para agir com urgência nos 1.400 casos de reassentamento já submetidos no campo de Hurriya. Desde 2011, o ACNUR, juntamente com a Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI), vem tentando encontrar oportunidades de reassentamento fora do Iraque para todos os 3.200 moradores do acampamento, mas até agora a comunidade internacional obteve a realocação de apenas 311 residentes.
A agência da ONU informou que três moradores foram mortos no ataque, com muitos mais feridos, pelo menos quatro deles gravemente, sendo levados às pressas para hospitais pelas autoridades iraquianas.
O campo de Hurriya já foi alvo de ataques em várias ocasiões. O campo Novo Iraque (antigo Ashraf), onde os moradores estavam abrigados anteriormente, também foi alvo de um ataque no passado. O ACNUR tem consistentemente condenado tais “ataques inaceitáveis”.
“O ACNUR continua profundamente preocupado com a segurança dos moradores do campo de Hurriya e apela ao governo do Iraque para aumentar com urgência a segurança no campo para seus moradores”, disse a agência em um comunicado. “Também estamos pedindo ao governo para lançar uma investigação independente de todos os incidentes.”