Conflitos estão ligados às tensões étnicas e religiosas, além da ameaça constante do terrorismo promovido por grupos como a Al Qaeda. Chefe ONU pede às partes que “redobrem esforços” para apoiar a reconciliação.

As consequências de um ataque com bomba no Iraque. Foto: IRIN (foto de arquivo)
Expressando preocupação com o crescimento da violência no Iraque, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira (11) a todas as partes do conflito que redobrem seus esforços para apoiar a reconciliação e o fim da violência sectária.
O chefe das Nações Unidas afirmou ter acompanhado com preocupação o aumento das tensões políticas e “o crescimento da violência que tem matado um alto número de civis recentemente”.
Os últimos meses têm sido alguns dos mais mortais registrado no país. Em abril, 712 iraquianos foram mortos e mais de 1.600 feridos. Em maio, o número de mortos aumentou para 1.045 e mais de 2.300 ficaram feridos, de acordo com números divulgados pela Missão de Assistência das Nações Unidas no Iraque (UNAMI).
Centenas de pessoas foram mortas ou feridas nos últimos confrontos em todo o país, inclusive em Hawija, no norte de Bagdá, onde os helicópteros do governo dispararam contra militantes escondidos na aldeia, o que resultou em dezenas de mortos e feridos. De acordo com relatos da mídia, mais de 70 pessoas foram mortas em cidades no norte do Iraque com carros-bomba somente na segunda-feira (10).
Os conflitos estão relacionados com conflitos políticos entre xiitas, sunitas e partidos étnicos curdos. Muitos sunitas se sentem marginalizados pelo governo de maioria xiita do Iraque. Além disso, a organização islâmica fundamentalista Al Qaeda continua a realizar ataques no país e busca a redução do apoio ao governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki.
Entre a população iraquiana, 32 de milhões de pessoas – ou cerca de dois terços – são xiitas, e um terço sunitas.
As tensões cresceram muito depois que forças de segurança do governo invadiram no dia 23 de abril um acampamento montado por muçulmanos sunitas perto de Kirkuk ao norte da capital Bagdá, para protestar contra o governo, provocando confrontos entre tropas e manifestantes que deixaram 36 mortos.
O Ministério da Defesa do Iraque disse que as tropas responderam apenas após serem alvo de disparos no acampamento improvisado em uma praça pública.
A semana passada marcou o primeiro encontro entre o primeiro-ministro al-Maliki e os funcionários do Curdistão em Erbil. Em sua declaração, Ban saudou a reunião e ressaltou a necessidade urgente de diálogo entre blocos políticos a fim de superar a crise atual.
“O secretário-geral saúda todas as iniciativas de diálogo recentes, incluindo a reunião de alto nível convocada pelo chefe do Conselho Supremo Islâmico do Iraque, Sayyed Ammar Al-Hakim, e a visita do o primeiro-ministro al-Maliki para a região do Curdistão”, disse em um comunicado.