‘Punição coletiva de Israel contra a população civil em Gaza deve acabar’, diz relator especial da ONU, lembrando aniversário de 7 anos do bloqueio à Faixa de Gaza. Secretário-geral da ONU também se disse ‘profundamente preocupado’ com avanços contínuos na construção dos assentamentos israelense na Cisjordânia.
‘Punição coletiva de Israel contra a população civil em Gaza deve acabar’, diz relator especial da ONU, lembrando aniversário de 7 anos do bloqueio à Faixa de Gaza. Secretário-geral da ONU também se disse ‘profundamente preocupado’ com avanços contínuos na construção dos assentamentos israelense na Cisjordânia.

Uma mulher passa perto de um soldado israelense no leste de Jerusalém. Foto: IRIN/Andreas Hackl
O relator especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados da Palestina, Richard Falk, reiterou nesta sexta-feira (14) seus pedidos a Israel para que encerre o bloqueio sobre a Faixa de Gaza.
“Os seis anos de estrangulamento calculado de Israel na Faixa de Gaza têm atrofiado a economia e mantido a maioria dos habitantes de Gaza em um estado de pobreza perpétua”, disse o especialista da ONU.
“Israel tem a responsabilidade como potência ocupante de proteger a população civil. Mas, em vez de proteger, as autoridades israelenses isolaram a Faixa de Gaza”, disse Falk.
Em 2012, o número total de caminhões de exportações deixando Gaza foi de 254, em comparação aos 9.787 em 2005, antes do endurecimento do bloqueio em junho de 2007, devido à tomada da região pelos Hamas.
Além disso, o especialista da ONU disse que a capacidade produtiva de Gaza tem diminuído desde 2007, com 80% das fábricas fechadas ou operando com metade da capacidade ou menos, devido à perda de mercados de exportação e os custos proibitivos de operação, como resultado do bloqueio.
“Em 2012 a ONU estimou que, nas condições atuais, Gaza será inabitável até 2020. Previsões menos otimistas apresentadas para mim foram que a Faixa de Gaza pode não ser habitável apenas três anos a partir de agora”, disse o relator especial.
“É claro que as autoridades israelenses queriam há seis anos desvitalizar com a população de Gaza e a sua economia”, disse ele, referindo-se a um estudo realizado pelo Ministério da Defesa de Israel no início de 2008 detalhando a quantidade mínima de calorias que os palestinos em Gaza precisam consumir diariamente para evitar a desnutrição.
“O povo de Gaza suportou o insuportável e sofreu o que é insofrível durante seis anos. A punição coletiva de Israel contra a população civil em Gaza deve terminar hoje”, disse Falk.
O secretário-geral da ONU também reiterou nesta sexta-feira (14) seu pedido a Israel para que parasse as atividades de construção de assentamentos e respeitasse seus compromissos assumidos no âmbito do direito internacional.
“Ele está particularmente preocupado com relatos de que o planejamento para centenas de unidades habitacionais no assentamento de Itamar, na Cisjordânia, avançou para a próxima fase, como é também o caso do posto de Bruchin”, disse o porta-voz do secretário-geral da ONU.
Estes desenvolvimentos são “decisões inúteis que prejudicam o progresso em direção à criação de dois Estados”, disse Ban por meio de seu porta-voz, acrescentando que “eles constituem uma tendência muito preocupante em um momento de esforços contínuos para que as negociações de paz possam ser relançadas.”