Israel continua a violar direitos humanos no território ocupado da Palestina, diz relator especial da ONU

A situação dos palestinos que vivem sob o domínio de Israel permanece crítica, 46 anos após a guerra que iniciou a ocupação de territórios na Palestina. Ações de Israel impedem o crescimento econômico e violam os direitos humanos dos palestinos nos territórios ocupados.

Homem em Gaza. Foto: Banco Mundial/Natalia Cieslik

Homem em Gaza. Foto: Banco Mundial/Natalia Cieslik

Um especialista independente das Nações Unidas chamou a atenção para as violações dos direitos humanos no território ocupado da Palestina nesta quinta-feira (6), ressaltando que as tentativas de distorcer os fatos não mascararam a realidade de que as ações de Israel estão colocando em risco as vidas de palestinos.

“Israel continua a anexar território palestino – 60 mil metros quadrados perto de Nablus somente nesta semana –, Israel persiste na demolição de casas palestinas e na ocupação da Palestina com cidadãos israelenses, Israel mantém uma política de punir coletivamente 1 milhão e 750 mil palestinos através da imposição do bloqueio à Faixa de Gaza, e Israel continua a sua ocupação com impunidade, recusando-se a ouvir chamados do mundo para respeitar o direito internacional”, disse Falk.

“O bloqueio de Israel – que ocorre há sete anos – é sufocante para os palestinos em Gaza, com incrível 70% da população dependente da ajuda internacional para sobreviver e 90% da água imprópria para consumo humano”, alertou ele. “Essas violações privam os palestinos de qualquer esperança e faz com que as recentes negociações de paz virem piadas.”

O relator informou que, no final de maio, Israel detinha 4.979 palestinos, incluindo 236 crianças, em suas prisões. Outro dado é que Israel mantém permanentemente cerca de 200 palestinos na chamada “detenção administrativa” – segundo Falk “um eufemismo utilizado para a detenção sem acusações”.

De acordo com um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre a situação dos trabalhadores nos territórios árabes ocupados, também divulgado nesta quinta-feira (6), a decisão de Israel de suspender, pelo menos temporariamente, o pagamento dos direitos aduaneiros, os impostos recolhidos nos preços das mercadorias, impostos especias no consumo de petróleo e o aumento do ritmo da construção de assentamentos impedem que oportunidades de empregos decentes surjam e que a economia palestina cresça.

Segundo a OIT, a palestina luta com a pobreza e a dependência alimentar. O número de desempregados palestinos aumentou em 15,3% entre 2011 e 2012, com a taxa de desemprego chegando a 23%.

Para Guy Ryder, diretor da OIT, “além de negociações genuínas, são necessárias ações para reviver o processo de paz e restaurar o crescimento econômico”.