Israel deve impedir ataques de colonos contra povoados palestinos, alerta ONU

O povoado de Qusra foi alvo de colonos por pelo menos seis vezes nas últimas seis semanas, informou escritório de direitos humanos da ONU.

Mulheres palestinas caminham perto de uma barreira próxima à Cisjordânia.

O escritório de direitos humanos da ONU demonstrou preocupação hoje (11/10) com um aumento da violência por parte de colonos israelenses contra civis palestinos na Cisjordânia desde o início de setembro. “Estamos particularmente preocupados com a situação no povoado palestino de Qusra, que fica perto de Nablus, na Cisjordânia do norte. Qusra foi alvo de colonos por pelo menos seis vezes nas últimas seis semanas. Os ataques tomaram várias formas e são emblemáticos em relação ao fenômeno da violência dos colonos em toda a Cisjordânia”, alertou o porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Rupert Colville.

O ACNUDH informou que os ataques resultaram na perda substancial de propriedade e danos às moradias, além de casos de lesão corporal grave. Uma mesquita foi incendiada, centenas de árvores foram cortadas e um civil palestino foi morto após a intervenção militar de Israel. Palestinos deste mesmo povoado já haviam perdido centenas de acres de terra por causa da expansão dos assentamentos e da construção de postos de controle.

Dois dos exemplos mais recentes incluem a morte de um civil palestino por um soldado israelense em Qusra, no dia 23 de setembro. No mesmo dia, dois jovens palestinos foram detidos por duas horas e há alegações de que teriam sido espancados e humilhados pelos soldados israelenses, antes de serem liberados. Na madrugada de 6 de outubro, os palestinos deste povoado descobriram que pelo menos 200 árvores pertencentes a quatro famílias diferentes tinham sido cortadas. As árvores representavam a principal fonte de renda para as famílias.

Um relatório do Secretário-Geral, intitulado “Os assentamentos israelenses no Território Ocupado da Palestina, incluindo Jerusalém Oriental e o Golã sírio ocupado”, deve ser lançado nos próximos dias, informou Colville. O documento tratará da contínua construção de assentamentos israelenses e seu impacto sobre os direitos humanos dos moradores, incluindo a violência de colonos israelenses contra os palestinos e suas propriedades, bem como a falta de responsabilização pela violência dos colonos. O relatório foi elaborado pelo escritório de direitos humanos da ONU no Território Ocupado da Palestina em cooperação com várias outras entidades das Nações Unidas.

“Apelamos ao governo de Israel para que cumpra com as suas obrigações no âmbito dos direitos humanos internacionais e do direito humanitário internacional para proteger os civis palestinos e bens no Território Palestino Ocupado. Mais precisa ser feito para prevenir os ataques de colonos contra civis palestinos e, quando estes ocorrerem, devem ser devidamente investigados pelas autoridades israelenses. Vítimas também devem ser adequadamente compensadas por suas perdas”, declarou o ACNUDH.

Com o início da temporada de colheita de azeitona em poucos dias, Colville pediu às autoridades israelenses que tomem “medidas eficazes” para parar os ataques de colonos na Cisjordânia ocupada.

No mês passado, um grupo de especialistas da ONU pediu às autoridades israelenses que previnam ataques de colonos e pediu um fim imediato às demolições de propriedades de palestinos e outras estruturas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.