‘Israel está negando o direito da Palestina de se desenvolver’, alerta especialista da ONU

Gaza tem uma das maiores taxas de desemprego do mundo – um contingente de 42%, subindo para 58% entre a população jovem. Nos territórios palestinos ocupados, o desemprego atingiu 27% em 2016, aumento de 12% em relação ao ano de 1999.

“Não há paralelo no mundo moderno para a economia palestina. A pobreza está aumentando; o desemprego está subindo para níveis épicos; a insegurança alimentar está se tornando mais aguda; a economia está se tornando mais reprimida e menos viável”, ressaltou Lynk, pedindo às autoridades israelenses que coloquem um fim completo aos quase 50 anos de ocupação.

Palestinos após terem suas casas demolidas por Israel. Foto: OCHA

Palestinos após terem suas casas demolidas por Israel. Foto: OCHA

O relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados, Michael Lynk, alertou na semana passada (27) que a ocupação de Israel está negando o direito da Palestina de se desenvolver.

De acordo com o especialista, Gaza tem uma das maiores taxas de desemprego do mundo – um contingente de 42%, subindo para 58% entre a população jovem. Nos territórios palestinos ocupados, o desemprego atingiu 27% em 2016, aumento de 12% em relação ao ano de 1999.

“Não há paralelo no mundo moderno para a economia palestina. A pobreza está aumentando; o desemprego está subindo para níveis épicos; a insegurança alimentar está se tornando mais aguda; a economia está se tornando mais reprimida e menos viável”, ressaltou Lynk, pedindo às autoridades israelenses que coloquem um fim completo aos quase 50 anos de ocupação.

Segundo o especialista, a fragmentação deliberada de Israel dos territórios palestinos ocupados e a falta de desenvolvimento têm impactado negativamente também os direitos humanos. Ele observou ainda que a Palestina está com dificuldade de atingir até mesmo as metas mínimas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Esta ocupação – que completará 50 anos em 2017 – é seriamente deficiente no que tange ao respeito aos princípios legais e às obrigações incorporadas no direito ao desenvolvimento”, frisou Lynk.

“O aprofundamento da ocupação, a compressão dos direitos humanos básicos e a total ausência de um horizonte político conduz a uma atmosfera de desespero e desesperança”, continuou.

O relator especial disse que não havia recebido uma resposta do governo israelense ao seu pedido para visitar os territórios ocupados, observando que os Estados-membros têm obrigação legal de cooperar os mecanismos de direitos humanos da ONU.

Lynk também elogiou os grupos de direitos humanos que atuam na região pela coragem e compromisso inspirador.

“Eles enfrentam desprezo, violações dos direitos humanos e, ainda assim, permanecem comprometidos com esse trabalho de valor inestimável”, disse.