Israel: ONU pede libertação imediata de três palestinos detidos sem acusações

“Continuar a manter Qa’adan, Azzidine e Al-Issawi sob essas condições é desumano. Israel é responsável por qualquer dano permanente”, alertou especialista independente.

Um palestino libertado em troca de prisioneiros por Israel e Hamas é recebido com festa na Cidade de Gaza no dia 18 de outubro de 2011. Foto: IRIN/Erica Silverman

O Relator Especial das Nações Unidas Richard Falk pediu nesta quarta-feira (13) a libertação imediata de três palestinos detidos sem acusações por parte de Israel. Falk expressou “profunda preocupação” com o destino de Tarek Qa’adan e Jafar Azzidine, que estão há 78 dias em greve de fome, e Samer Al-Issawi, que está em greve de fome parcial por mais de 200 dias.

“Continuar a manter Qa’adan, Azzidine e Al-Issawi sob essas condições é desumano. Israel é responsável por qualquer dano permanente”, alertou o especialista independente designado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para monitorar e reportar violações israelenses dos direitos na Palestina. “Se as autoridades israelenses não podem apresentar provas para sustentar as acusações contra estes homens, então eles devem ser libertados imediatamente.”

“Qa’adan e Azzidine estão segundo relatos à beira da morte, com a ameaça de um ataque cardíaco fatal iminente”, observou o especialista, lembrando que os dois homens foram presos no dia 22 de novembro de 2012 e começaram sua greve de fome em 28 de novembro, após serem condenados a uma prisão administrativa por um período de três meses. Eles foram transferidos para o Hospital Assaf Harofi, perto de Tel Aviv, no dia 24 de janeiro deste ano, após suas condições terem se deteriorado.

“Estou preocupada com as condições de saúde desses três palestinos detidos em greve de fome”, afirmou a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Ela reiterou suas preocupações com relação ao uso da detenção administrativa por Israel. “As pessoas detidas devem ser julgadas e enfrentar um processo a partir de garantias judiciais, de acordo com as normas internacionais, ou ser imediatamente libertadas”, disse.

O Coordenador Humanitário da ONU para o território palestino ocupado, James Rawley, reiterou a mesma mensagem hoje, ao se encontrar com o Ministro palestino de Assuntos dos Prisioneiros e Detidos, Issa Qaraqe, em Ramallah.

Esta é a segunda vez que Azzidine e Qa’adan realizam uma greve de fome contra a detenção administrativa, uma vez que participaram da greve de fome em massa de palestinos de 17 de abril a 14 de maio de 2012. Qa’adan tinha sido liberado depois de 15 meses de detenção, no dia 8 de julho de 2012, enquanto Azzidine tinha sido liberado no dia 19 de junho de 2012, depois de três meses de detenção, antes de ser preso novamente.

“Israel deve acabar o tratamento terrível e ilegal de prisioneiros palestinos. A comunidade internacional deve reagir com um sentido de urgência e usar qualquer influência à disposição para acabar com os abusos de Israel no que diz respeito à detenção administrativa”, exortou o Relator Especial.

Falk observou que Israel aplica atualmente a detenção administrativa a pelo menos 178 palestinos.