Israel-Palestina: Romper impasse político exige ‘trabalho corajoso de muitos’, diz enviado da ONU

Os assentamentos de Israel continuam a ser um impedimento para a paz, enquanto algumas facções palestinas continuam a glorificar a violência e o terror, disse o enviado especial da ONU ao Conselho de Segurança, instando ambas as partes a pôr fim às atividades que prejudiquem o processo de paz.

Em At Tur, perto do hospital Al Maqassad, em Jerusalém Oriental, um dos vários obstáculos, colocados pelas forças israelenses em outubro de 2015 em bairros palestinos, após a onda de violência em todo o território palestino ocupado e em Israel. Foto: OCHA

Em At Tur, perto do hospital Al Maqassad, em Jerusalém Oriental, um dos vários obstáculos, colocados pelas forças israelenses em outubro de 2015 em bairros palestinos, após a onda de violência em todo o território palestino ocupado e em Israel. Foto: OCHA

Enquanto a violência em erupção em Israel e na Palestina não está, lamentavelmente, mostrando “sinal de ceder”, as Nações Unidas e seus parceiros estão procurando ativamente um caminho a seguir, diz o enviado da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, ao Conselho de Segurança nesta quinta-feira (18). Ele pediu que ambos os lados acabem com o conflito de longa data.

Colocando um quadro preocupante da situação durante um informe trimestral ao órgão de 15 países, Nickolay Mladenov, coordenador especial do secretário-geral para o Processo de Paz no Oriente Médio, disse que o conflito chegou agora a “um ponto crucial”. Israelenses e palestinos devem agora moldar ativamente o seu futuro – com o apoio dedicado da comunidade internacional, “antes que os adversários da paz decidam o seu destino para eles”, disse Mladenov.

A espiral recente de violência, que deixou pelo menos 137 palestinos e 19 israelenses mortos, não pode ser revertido por meios exclusivamente do campo da segurança, disse ele, acrescentando que os líderes de ambos os lados devem mostrar uma vontade política de seus povos e se colocar contra o incitamento e os radicais entre os seus próprios constituintes.

Apenas um verdadeiro progresso no sentido de uma paz justa que permita que o povo de Israel e o povo da Palestina possam viver lado a lado em fronteiras seguras e protegidas vai acabar com o derramamento de sangue e combater a ascensão do extremismo, acrescentou ele.

Durante o ano passado, as Nações Unidas, os Estados Unidos, a Rússia e a União Europeia, que formam o Quarteto sobre o processo de paz no Oriente Médio, se envolveram ativamente na busca de uma solução para acabar com o impasse, observou Mladenov.

O Quarteto tem procurado preservar a solução de dois Estados e criar as condições que permitam que as partes retomem negociações significativas para resolver as questões relativas ao estatuto final e o fim da ocupação que começou em 1967.

Os assentamentos de Israel continuam a ser um impedimento para a paz, e algumas facções palestinas continuam a glorificar a violência e o terror, disse o enviado da ONU, instando ambas as partes a pôr fim às atividades que prejudiquem o processo de paz.

Apelando aos líderes de ambos os povos e a todas as partes interessadas internacionais, Mladenov disse que há caminhos claros para fora do “pântano político” atual, mas eles exigem a unidade de esforço e trabalho corajoso, criativo e substancial de muitos. “A realidade fria para os povos israelense e palestino é que todos falharam com eles”, disse, instando as duas partes a trabalhar em conjunto para chegar a uma solução.