‘Embora os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos sejam um exemplo, ainda há muito a ser feito para alcançar a igualdade esportiva de prioridades para pessoas com deficiência. Os parceiros incluem não só organizações internacionais e governos, mas também os meios de comunicação.’ Por Wilfried Lemke, Conselheiro Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Esporte para o Desenvolvimento e a Paz. (*)
Por Wilfried Lemke, Conselheiro Especial do Secretário-Geral da ONU sobre Esporte para o Desenvolvimento e a Paz. (*)

Durante o espaço de tempo entre o fechamento dos Jogos Olímpicos e a abertura dos Jogos Paraolímpicos, em Londres, tivemos uma oportunidade única de observar como os dois eventos podem melhorar a vida de pessoas e impactar o mundo.
Alguns podem ver os jogos apenas como uma competição acirrada, na qual os atletas levam seus corpos ao limite para que possam ouvir seu hino nacional nos alto-falantes enquanto os fãs se vestem nas cores brilhantes de seus países e contam as medalhas conquistadas. No entanto, sob o grito de cada país, por trás da expressão confiante de cada atleta e para além das questões comerciais, está o verdadeiro espírito dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, que coincidem com os valores fundamentais das Nações Unidas: tolerância, respeito, igualdade, inclusão e paz.
No campo de jogo, atletas incorporam esses valores de formas diferentes – desde mandar a bola para fora quando um jogador está machucado até apertar as mãos ou dar abraços nos adversários no final de uma corrida. Ao fazer isso, eles mostram o verdadeiro espírito do esporte, competindo de forma justa e respeitosa. Os atletas também representam esses valores ao atuar como voluntários em suas próprias comunidades, visitando países em desenvolvimento em todo o mundo e servindo como Embaixadores da Boa Vontade da ONU e de outras organizações.
Embora os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos sejam um exemplo, ainda há muito a ser feito para alcançar a igualdade esportiva de prioridades para pessoas com deficiência. Os parceiros incluem não só organizações internacionais e governos, mas também os meios de comunicação. Em relação a este último, a cobertura do esporte paraolímpico, infelizmente, ainda fica para trás em alguns países, enquanto que em outros ela nem sequer existe.
Enquanto, infelizmente, um cessar-fogo universal concreto não foi observado, a paz provisória olímpica – por meio da Trégua Olímpica – continua a ser um objetivo nobre e uma poderosa lembrança do espírito e potencial histórico dos Jogos.
Agora, a tocha está sendo passada para o Rio de Janeiro e vai acender novamente em quatro anos. O que podemos ver e sentir da excelente performance do Rio de Janeiro na cerimônia de encerramento de Londres é não apenas o entusiasmo e a paixão do Brasil, mas também o seu grande abraço multicultural para a diversidade de raças, estilos de vida e gostos.
No centro das atenções do mundo graças a eventos esportivos como os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 e a Copa do Mundo 2014, a cidade já serviu como uma plataforma global para discutir o futuro da humanidade. Uma conquista recente e notável foi a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada em junho deste ano e que aprovou o documento final “O Futuro que Queremos”. Enquanto apreciamos o legado de Londres nos próximos anos, haverá definitivamente muito a esperar do Rio em suas contribuições para e através do esporte.
_____________________
(*) Artigo originalmente publicado no jornal LANCE! no domingo, dia 2 de setembro de 2012.