Os diálogos permitem que os jovens aprendam mais sobre seus direitos, instrumentos de amparo e que façam parte de redes para mobilização e participação social.

O UNFPA promove o direito dos jovens no Brasil. Foto: UNFPA
A 1ª Roda de Diálogos do Projeto OJÚ OMO – Olhar da Juventude foi marcada por momentos de troca de experiências entre jovens, facilitadores da iniciativa e membros da comunidade. O evento, que contou com a presença de 55 pessoas, trouxe à população da Península de Itapagipe, em Salvador, os conteúdos trabalhados nas oficinas sobre direito à informação e à comunicação, direitos humanos e da população jovem, sexualidades, direitos sexuais e reprodutivos e relações de gênero. Serviu também para mostrar como as lideranças jovens participantes têm aprimorado seus conhecimentos sobre os temas.
O OJÚ OMO é uma iniciativa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com a Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Cese) e a Organização Interclesiática para a Cooperação e Desenvolvimento – Holanda (ICCO). O projeto visa a reforçar o protagonismo juvenil através da capacitação de jovens em temas voltados para saúde reprodutiva e direitos, com enfoque em gênero e raça Os jovens participantes do projeto planejaram e organizaram o encontro realizado no último dia 09 de agosto e atuaram como mestres de cerimônias, expositores e debatedores , além de apresentarem atrações culturais.
Lenilson Brito, coordenador do Adolescer com Arte, contou que os jovens trabalham como multiplicadores em escolas “por meio de peças teatrais de no máximo 30 minutos, com temas como enfrentamento ao racismo, relações de gênero e violência”. Claudia Vasconcelos, facilitadora do módulo de Sexualidades, expressou suas considerações sobre a realização das oficinas. “Foi bacana porque envolveu vários temas. Falamos sobre o despertar da sexualidade, as relações de violência nas relações, quais são as instituições que educam para o tema – família, escola, sociedade, organizações, religião. E suas interseções com as questões de gênero”.
A partir da abertura dos diálogos, comentários como “a pessoa acaba com medo de se expressar” e “somos julgados por usar azul ou rosa” foram compartilhados pelas pessoas presentes, como Herbert Silva, jovem participante do OJÚ OMO: “os colegas interferem em nossa vida. Ontem, na aula de Sociologia, uma colega disse que não quer um gay por perto, pois a religião dela não aceita. Agiu de uma forma violenta e preconceituosa”.
Na sequência, Edlamar França, facilitadora do módulo de Direitos Humanos e Direitos da População Jovem, falou que “a população jovem tem se constituído como a mais vulnerável socialmente, tendo seus direitos mais negligenciados. Como exemplo, o direito à educação de qualidade, ao lazer e à participação na política”. A psicóloga ressaltou ainda a importância de conhecer os direitos, instrumentos e instituições que nos amparam, e a importância da “formação de redes para mobilização e participação social”.
O jovem Carlos Luz, também integrante do OJÚ OMO, aproveitou o momento para refletir sobre a violência enfrentada pela juventude negra. “Os jovens estão morrendo a troco de nada. Nós não podemos ficar parados diante disso. Temos de aproveitar esses momentos de roda para discutirmos os problemas. Quando falamos em direitos, precisamos pensar… O que queremos mesmo? Qual minha atuação na sociedade?”.