Julgamento de crimes do passado dá ‘esperança’ a sobreviventes na Guatemala, afirma enviada da ONU

País está julgando o ex-presidente e o ex-chefe de inteligência por crimes de violência sexual e outros cometidos durante os 36 anos de guerra civil.

A Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura, pediu para que haja um julgamento justo na Guatemala. Foto: ONU/Eskinder Debebe

A Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura, pediu para que haja um julgamento justo na Guatemala. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Uma funcionária das Nações Unidas saudou na sexta-feira (12) os esforços das autoridades da Guatemala para investigar os crimes de violência sexual que ocorreram durante os 36 anos de conflito interno no país, pedindo que as autoridades garantissem um julgamento justo e proteção para as testemunhas e outros envolvidos.

“A justiça na Guatemala foi adiada para muitos, mas não deve ser negada”, disse a Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura, em um comunicado sobre os possíveis crimes que ocorreram durante o conflito entre 1960 e 1996.

As investigações decorrem de processos judiciais em curso contra o ex-presidente Efraín Ríos Montt e o ex-chefe de inteligência José Mauricio Rodríguez Sánchez, que são acusados de genocídio e de cometer crimes contra a humanidade por seu papel no conflito da Guatemala.

Há relatos de que 200 mil pessoas foram mortas ou desapareceram ao longo da guerra civil no país.

Durante o conflito, a Guatemala se tornou palco da exposição de diversos tipos de brutalidade que acabaram catalogadas e reveladas pela Comissão de Esclarecimento Histórico em seu relatório sobre a guerra apoiado pelo escritório da ONU no país.

Nos quase 40 anos de conflitos, aldeias inteiras foram destruídas e assassinatos e violências contra mulheres, crianças e bebês foram regularmente registrados.