Julgamentos ilegais do Estado Islâmico mostram desprezo pela vida humana, afirma ONU

As chamadas “cortes Shari’a” sentenciam à morte, com atos cruéis, homens, mulheres e crianças nos territórios sob o controle do grupo extremista no Iraque.

Crianças no campo de Khanke perto da cidade de Dohuk, Iraque, com casas de Yazidis depois de terem fugido do Estado Islâmico. Foto: UNAMI

Crianças no campo de Khanke perto da cidade de Dohuk, Iraque, com casas de Yazidis depois de terem fugido do Estado Islâmico. Foto: UNAMI

O Escritório da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) confirmou, nesta terça-feira (20), que o Estado Islâmico (EI) estabeleceu “cortes shari’a”, regidas pela lei islâmica , em que realizam punições cruéis contra homens, mulheres e crianças nos territórios sob o seu controle. Aqueles que são punidos, respondem acusações como  “violar as interpretações do grupo extremista da lei islâmica shari’a ou por suspeita de deslealdade”, afirmou a porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani.

“O assassinato impiedoso de dois homens, que foram jogados do teto de um edifício depois de terem sido acusados de atos homossexuais por esta chamada “corte” em Mossul (Iraque), é um outro exemplo terrível do tipo desprezo monstruoso pela vida humana que caracteriza o reino de terror do Estado Islâmico em áreas do Iraque que estão sob o controle do grupo”, adicionou.

Na semana passada, o EI publicou fotos na Internet de dois homens sendo “crucificados” após serem acusados de banditismo. Outras imagens divulgadas mostraram uma mulher sendo apedrejada até à morte, por suspeita de adultério.

O Escritório recebeu várias denúncias de que outras mulheres estavam sendo executadas pelo EI, após sentenças proclamadas pelas “cortes shari’a”. Segundo o Escritório, mulheres educadas ou candidatas às eleições de cargos públicos são as que mais correm risco. Os relatos indicam que ao menos três advogadas foram executadas.

Médicos que não concordaram em tratar aos combatentes do EI e membros de tribos, são acusados de colaborar com as Forças de Segurança Iraquianas e aqueles que se recusam a se incorporar nas filas de combate também foram sentenciados à morte.

O ACNUDH continuará documentando abusos e violações de direitos humanos que ocorrem no Iraque e espera apresentar um relatório ao Conselho de Direitos Humanos em março.