Lenta adesão ao plano de resposta à cólera no Haiti causa preocupação

Coordenador Humanitário da ONU no Haiti, Nigel Fisher expressou sua preocupação com a lenta resposta ao apelo de 164 milhões de dólares, feito há nove dias, para impedir o avanço do surto de cólera no país.

O Coordenador Humanitário da ONU no Haiti, Nigel Fisher, expressou no último sábado (20/11) sua preocupação com a lenta resposta ao apelo de 164 milhões de dólares, feito há nove dias, para impedir o avanço do surto de cólera no país. Cerca de 20 mil pessoas já foram infectadas e centenas morreram no mês passado. “Embora estejamos muito gratos pelas contribuições, até agora recebemos menos de 10% do que necessitamos”, afirmou Fisher.

De acordo com o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), esforços conjuntos do governo haitiano e de agências humanitárias para combater a cólera têm sido dificultados por recentes conflitos na cidade de Cap Haitien.

Enfermeira cuida de criança doente em um centro de tratamento de cólera (CTC) na capital haitiana, Porto Príncipe. O centro é um dos vários estabelecidos pelas autoridades de saúde locais e grupos internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para combater a propagação da doença. Foto: ONU/Logan Abassi.

Enfermeira cuida de criança doente em um centro de tratamento de cólera (CTC) na capital haitiana, Porto Príncipe. O centro é um dos vários estabelecidos pelas autoridades de saúde locais e grupos internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para combater a propagação da doença. Foto: ONU/Logan Abassi.

Até o sábado (20), um total de 50 mil pessoas já havia procurado tratamento médico e cerca de 20 mil estavam com cólera, com 1.100 mortes. A disseminação da doença foi acelerada pelas enchentes do Furacão Tomas, que atingiu o Haiti em 5 de novembro. “A cólera é uma doença extremamente simples de curar. A taxa de mortalidade de 2,4% em hospitais demonstra que quase todos os pacientes que recebem tratamento sobrevivem”, disse o coordenador. “Sem a assistência médica, a taxa de mortalidade aumenta drasticamente. Sais de hidratação oral ou soluções de açúcar e sal caseiras são suficientes para tratar 80% dos casos”.

O Plano de Reposta à Cólera, para o qual foram solicitados 164 milhões de dólares, foca na necessidade de melhorar a estrutura de saneamento e de água e da informação pública para ajudar a prevenir a disseminação da doença, além de ampliar a capacidade médica ao construir centros de tratamento especializados na cólera. O Plano também inclui atividades a ser designadas a 50 agências humanitárias.

Na semana passada, agências distribuíram 40 toneladas de suprimentos médicos. O Plano de Resposta também fornece material a 650 centros de hidratação. A distribuição de comprimidos de purificação de água, sais de reidratação oral e sabão está em curso em todo o país, assim como uma campanha de informativa em larga escala.

“Precisamos reconhecer que esse apelo está relacionado com a resposta de emergência necessária agora. Em longo prazo, a gestão eficaz da cólera e de outras doenças transmissíveis significa investimento adequado em recursos no Haiti, no abastecimento de água e em sistemas de saneamento ambiental pelo país e em métodos de descarte adequados dos resíduos. Temos de minimizar as condições desfavoráveis que as epidemias promovem”, finalizou Fisher.