O recente cessar-fogo na capital da Líbia, Trípoli, mediado pela missão das Nações Unidas no país, está sendo respeitado, disse na quinta-feira (8) o chefe da missão ao Conselho de Segurança, destacando esforços para manter a calma e ajudar a assegurar uma paz duradoura.
Falando de Trípoli por videoconferência, Salamé afirmou que um novo plano de segurança abrangente para a capital está em vigor, e que diversos grupos armados se retiraram de importantes edifícios governamentais.

Mulher mostra sua casa, demolida por milícia local em Trípoli. Foto: ACNUR/Tarik Argaz
O recente cessar-fogo na capital da Líbia, Trípoli, mediado pela missão das Nações Unidas no país, está sendo respeitado, disse na quinta-feira (8) o chefe da missão ao Conselho de Segurança, destacando esforços para manter a calma e ajudar a assegurar uma paz duradoura.
“Nos dedicamos à consolidação do cessar-fogo em solo e no nível político para minimizar as possibilidades de crises similares no futuro”, disse o representante especial do secretário-geral no país, Ghassan Salamé, em comunicação ao Conselho de 15 membros.
Falando de Trípoli por videoconferência, Salamé afirmou que um novo plano de segurança abrangente para a capital está em vigor, e que diversos grupos armados se retiraram de importantes edifícios governamentais.
Ele destacou que o conceito do plano era “claro e equilibrado”, com grupos armados fora da cidade permanecendo para além dos arredores, enquanto aqueles que estão dentro da cidade reduziram o nível de intimidação nas ruas e não estão atacando as instituições no centro da cidade.
“Olhando para frente, a cidade deve ser protegida por forças policiais disciplinadas e regulares”, disse o representante especial.
Grupos armados também “indicaram prontidão” para entregar o porto marítimo e o terminal civil do aeroporto às autoridades, acrescentou, destacando que há um “frágil, porém evidente” senso de melhora em Trípoli.
O enviado disse que sucesso na capital é fundamental não somente por conta de sua grande população, mas também porque “o que funciona em Trípoli pode ser um modelo a ser repetido em outros lugares da Líbia”.
Ao mesmo tempo, os impulsionadores do conflito na Líbia, incluindo as condições “apavorantes” em centros de detenção e o controle efetivo do governo sobre os recursos naturais do país, devem ser respondidos, destacou Salamé.
“Algumas prisões se transformaram em incubadoras de ideologias extremistas”, disse, enquanto centenas de líbios e estrangeiros continuam detidos ilegal e desumanamente como uma forma de assegurar resgates.
Um processo judicial para melhorar as condições carcerárias e a libertação dos presos indevidamente deve ser expedido, e grupos armados que controlam as prisões devem devolver o controle para autoridades estatais, destacou Salamé.
Sobre a reforma prisional, há também uma necessidade urgente de capacitar forças de segurança para proteger e servir a população líbia, acrescentou.
O enviado também pediu esforços para acabar com os abusos dos vastos recursos naturais da Líbia por parte de grupos que operam ilegalmente uma “economia paralela”.
“A Líbia é rica”, disse, mas “líbios estão cada vez mais pobres, enquanto criminosos usam redes de violência para roubar bilhões dos cofres nacionais”, afirmou, pedindo medidas imediatas de repressão.
O enviado da ONU também chamou atenção do Conselho de Segurança para a contínua falta de ação do legislativo do país sobre compromissos vinculantes feitos anteriormente, incluindo um referendo sobre a Constituição e novas eleições presidenciais e parlamentares.
Embora líbios tenham feito uma demanda clara por novas eleições, disse Salamé, esta exigência está sendo “resistida a todo custo” pelo legislativo.