O Representante Especial da ONU ressaltou que decisões difíceis devem ser tomadas para a criação da nova constituição e a reforma do setor de segurança.

“Enquanto o novo Governo da Líbia tem evidenciado determinação para enfrentar os muitos desafios enfrentados pela democracia nascente, o diálogo nacional deve ser mantido de modo que as decisões difíceis sobre uma série de questões possam ser tomadas com amplo apoio popular”, disse na terça-feira (29) o Representante Especial do Secretário-Geral e Chefe da Missão de Apoio da ONU na Líbia (UNSMIL), Tarek Mitri, em reunião no Conselho de Segurança da ONU na qual fez um balanço da situação do país.
O Representante Especial ressaltou que o governo do Primeiro-Ministro Ali Zeidan, e seu gabinete, acabaram de tomar posse oficialmente e parecem ter amplo apoio do legislativo eleito, o Congresso Geral Nacional (GNC), dos partidos políticos e do público. Mitri observou que há pressão para elaboração da nova constituição, mas o GNC ainda não determinou se os membros que participarão de sua elaboração serão eleitos ou indicados.
Segundo o funcionário da ONU, a situação de segurança no país continua precária, mesmo após a reforma de segurança ter ganhado força e coerência com 20 mil combatentes revolucionários se alistando no processo de treinamento do Ministério do Interior, desde que foram anunciados os planos de reestruturação em dezembro. No entanto, esses planos têm encontrado resistência de brigadas revolucionárias que ainda não estão prontas para entregar suas armas.
No sul, o descontentamento cresceu com acusações de prestação de serviços insuficientes. Além disso o Presidente foi alvo de uma tentativa de assassinato na região em 3 de janeiro. O veículo do Cônsul italiano foi alvo de tiros em 12 de janeiro, em Benghazi, no leste, onde autoridades policiais foram mortas.
A Líbia está passando por uma transição para um Estado democrático moderno, depois de décadas do governo autocrático de Muamar Kadafi. O ex-líder governou o país entre 1969 e 2011, quando um levante pró-democracia levou a uma guerra civil e o fim de seu regime.