Líbia: ONU condena ataque a filial do Banco Central e alerta para deslocamentos massivos

O ACNUR estima que os combates recentes e o fluxo de deslocados eleve o número de pessoas fugindo na Líbia para cerca de 400 mil pessoas.

Vista da cidade antiga de Bengazi. Foto: UNSMIL/Iason Athanasiadis

Vista da cidade antiga de Bengazi. Foto: UNSMIL/Iason Athanasiadis

A Missão da ONU na Líbia condenou, nesta quinta-feira (22), um ataque contra uma filial do Banco Central em Bengazi. O incidente interrompe o cessar-fogo estabelecido em um encontro em Genebra (Suíça) na semana passada.

A Missão pediu o estabelecimento de uma comissão independente de inquérito para investigar o ocorrido e pediu aos líderes do país para continuar o processo de diálogo para resolver as diferenças políticas e de segurança da nação e trazer alívio a população afetada pelo conflito.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) divulgou na última semana que, desde o começo de janeiro, intensos conflitos em Bengazi e outras cidades no oeste da Líbia têm gerado novos deslocamentos.  Os movimentos são mais intensos em torno de Bengazi, Derna, e nas proximidades do Golfo de Sidra, em Bem Jawad, e Ras Lanuf. Muitas pessoas estão fugindo pela quarta ou quinta vez. Apenas em Bengazi, a autoridade local reportou que cerca de 90 mil pessoas estão impossibilitadas de voltar para casa.

O ACNUR estima que o fluxo recente eleve o número de deslocados internos na Líbia para cerca de 400 mil pessoas. Além disso, a Líbia acolhe aproximadamente 37 mil refugiados e solicitantes de refúgio de diferentes nacionalidades, cujas condições humanitárias tornam-se cada vez mais precárias.

Próximo à capital Trípoli, no oeste do país, ONGs e o conselho local estimam que mais de 83 mil pessoas estejam vivendo em estabelecimentos, escolas e prédios abandonados. Muitos estão sem acesso aos sistemas de saúde ou educação para seus filhos, e um número significativo está sem dinheiro para comprar comida.

Com cada vez menos recurso financeiro, os deslocados não conseguem pagar aluguel. Os meses atuais de inverno são especialmente difíceis, tendo em vista que as temperaturas em cidades como Trípoli, Bengazi e outras ao sul chegam abaixo dos dez graus Celsius.

No sudoeste da Líbia, deslocados internos da cidade de Awbari enfrentam dificuldades à medida que os serviços têm sido severamente interrompidos por conflitos entre tribos e grupos rivais.

Nos últimos sete meses, o ACNUR distribuiu ajuda humanitária para quase 28 mil pessoas em Trípoli e outras cidades do oeste, incluindo a comunidade Tawerghan, deslocada desde 2011.