Lideranças empresariais discutem promoção da igualdade de gênero em SP

Fórum promovido pela Rede Brasil do Pacto Global e pela ONU Mulheres no fim de abril (20) em São Paulo reuniu líderes de grandes empresas signatárias para discutir formas de promover a igualdade de gênero nas companhias, assim como entre clientes e parceiros.

Nadine Gasman, representante do ONU Mulheres Brasil, durante apresentação no Insper. Foto: Pacto Global/Felipe Abreu.

Nadine Gasman, representante do ONU Mulheres Brasil, durante apresentação no Insper. Foto: Pacto Global/Felipe Abreu.

Fórum promovido pela Rede Brasil do Pacto Global e pela ONU Mulheres no fim de abril (20) em São Paulo reuniu líderes de grandes empresas signatárias para discutir formas de promover a igualdade de gênero nas companhias, assim como entre clientes e parceiros.

Realizado no Inpser, o Fórum WEPs reuniu seis lideranças empresariais em um palco para discutir o tema, sendo que, desse total, quatro eram mulheres — fato que foi comemorado pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman.

“Ainda estamos em dívida porque não temos nenhuma mulher negra neste palco, mas estamos trabalhando e tenho certeza de que vamos mudar isso também”, afirmou.
Única companhia a ter todas as controladas sul-americanas como signatárias dos WEPs — os Princípios de Empoderamento Feminino —, a Schneider foi representada por sua presidente para a América do Sul, Tânia Consentino.

“Somos responsáveis por garantir a sustentabilidade e a perenidade das nossas empresas, e a diversidade vai nos ajudar nisso”, disse Tânia.

A primeira franquia do Grupo Boticário foi idealizada por uma mulher, sendo que 85% delas têm hoje uma mulher no comando. Para a vice-presidente da empresa, Lia Azevedo, o empoderamento feminino está no DNA da marca.

Segundo ela, antes de assinar os WEPs, o Grupo Boticário realizou uma medição criteriosa, utilizando os princípios para saber em que patamar a empresa se encontrava, o que levou a uma série de processos internos, revisão de benefícios, inclusão de treinamentos, entre outros.

“Hoje, nossos gestores são avaliados pela capacidade deles de promover a valorização das diferenças dentro da empresa”, declarou Lia.
A diretora executiva da Maurício de Sousa Produções, Mônica Sousa, inicialmente cativou a plateia por ter servido de inspiração para seu pai criar a Mônica dos quadrinhos, há 54 anos.

“Ele dizia que eu era brava, mas não me lembro disso, não”, brincou. Em seguida, contou que a personagem inicialmente não era protagonista da turma, mas já tinha um caráter forte e empoderador.

Embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a empresária percebeu que esse carisma podia ser usado para melhorar a autoestima das pequenas leitoras.

“Criamos o projeto ‘Donas da Rua’ para dizer que elas podem ser o que quiserem, independente dos estereótipos do que é ser uma menina”, contou. Parceiro da ONU Mulheres, o estúdio da Turma da Mônica realiza atualmente ações nessa área com cerca de 150 empresas.

O presidente da Coca-Cola Brasil, Henrique Braun, lembrou o compromisso assinado em 2010 de empoderar 5 milhões de mulheres em dez anos.

“Diversidade é um tema que não pode ser visto pelas grandes corporações somente como um target (alvo)”, disse. “Precisa ser visto como algo estratégico, com vantagem competitiva e voltado para o indivíduo”, completou.

O vice-presidente de distribuição de varejo e gestão de pessoas do Banco do Brasil, Walter Malieni Junior, explicou como a instituição de 200 anos conseguiu mudar sua mentalidade a partir de 2010, quando se comprometeu com os WEPs.

“Com quase 5 mil agências, a gente tem a capacidade de conversar com cada rincão do país”, lembrou. “Nos últimos três anos, o banco vem criando ações afirmativas muito sérias para permitir a ascensão vertical, em especial, à alta gerência”.

Ele abriu um parêntese para apontar que, por ser uma estatal de capital misto, a empresa obedece a regras diferentes de contratação por concurso. “Esse nosso empenho tem o objetivo de tornar a equidade algo normal em nossa empresa e, consequentemente, influenciar a sociedade brasileira”, disse.

Contribuição do setor público

Representando o setor público, a secretária especial de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, comprometeu-se a reforçar leis de defesa da mulher, a exemplo da Maria da Penha e a do feminicídio, além de programas como o Mulher, Viver sem Violência.

“Nosso papel é promoção da igualdade e enfrentamento da violência, mas só podemos fazer isso se tivermos mulheres empoderadas”, declarou. “Por isso a importância da iniciativa privada, que é onde temos o maior número de empregos”.

Ela anunciou que o programa Rede Brasil Mulher vai promover a parceria entre governo e sociedade civil, reunindo as ações que já existem e estimulando outras, visando à igualdade entre homens e mulheres.

Durante a manhã, o público se dividiu em sessões paralelas que traziam mais exemplos práticos de empoderamento de mulheres em empresas e instituições de perfis variados.

Como exemplo de primeira funcionária de carreira da Itaipu Binacional a chegar à diretoria, Margaret Groff, atualmente diretora financeira da empresa, falou como uma das idealizadoras do Prêmio WEPs Brasil sobre como influenciar fornecedores.

“Qualquer empresa pode participar, não apenas as signatárias, para expandir o conhecimento sobre os WEPs no país”, disse. “O compromisso das empresas deve ser em diminuir toda forma de discriminação no local de trabalho e também dentro da sua cadeia de relacionamento, principalmente fornecedores”, completou.

Comunidades e propaganda

Em outra sala de debates, voltada à perspectiva de gênero nas ações com as comunidades, Tiana Vilar Lins, da Womanity Foundation, apresentou a Plataforma UNA, que reúne diversos grupos focados na igualdade de gênero.

“Percebemos que muitas iniciativas eram parecidas e tinham um potencial muito grande de trocar experiências, economizando tempo, energia e recursos financeiros”, contou.

Outra mesa tratou do modo como a publicidade vê a mulher. A gerente de planejamento da Heads Propaganda, Isabel Aquino, apresentou números que evidenciam a falta de representatividade da mulher e de outras minorias na propaganda brasileira.

“Estamos contando as mesmas histórias, mostrando os mesmos biotipos, a realidade é muito mais diversa e interessante do que a gente está propondo”, alertou.

O evento também contou com a apresentação da gerente de responsabilidade corporativa da PwC, Renata Franco, que promoveu o lançamento do curso Gender IQ em português.

“Esse treinamento passa desde o conceito do que é identidade de gênero até reflexões de qual o custo da desigualdade e o benefício da equidade de forma mais clara e termina com uma chamada para a ação”, explicou.

“Nosso desejo é que o curso permeie não só o ambiente corporativo, mas chegue às salas de aula, às residências, e que a gente possa tratar desse tema de diferentes formas”.

Logo depois, a diretora de Recursos Humanos do Santander, Fátima Gouveia, compartilhou os estudos do banco sobre diversidade e apresentou um uso inovador da realidade virtual para permitir que os funcionários pudessem enxergar problemas do ambiente de trabalho por outro ângulo.

“Quando a gente fala de vieses inconscientes, as brincadeirinhas sutis do dia a dia estão sempre muito presentes”, disse.